CONGRESSO MUNDIAL DE HISTÓRIA DO AMBIENTE EM GUIMARÃES: QUAL O LEGADO DESTE EVENTO?

WCEH - flyerRealizou-se, nos passados dias 8 a 12 de julho, um evento científico que reuniu em Guimarães cerca de 600 investigadores em história do ambiente[1], oriundos, literalmente, dos quatro cantos do mundo. Não tenho memória de um evento internacional com esta envergadura, acolhido neste caso pela Universidade do Minho, tendo ocupado em pleno a zona de Couros e deixado durante alguns dias uma marca exótica na paisagem urbana. Foi um tempo intenso de partilha e discussão, com quase 500 apresentações dos mais variados temas da história do ambiente[2], em várias sessões simultâneas, abordando o clima e a meteorologia, o mar e a pesca, a erosão costeira, a paisagem e as transformações do território, até aos recursos hídricos e aos ecossistemas fluviais, à floresta e à introdução de espécies exóticas, à avifauna, à mineração e às ferrovias, se nos cingirmos aos casos relativos a Portugal. Esta pluralidade exprime bem o caráter abrangente e interdisciplinar desta área científica, dedicada, em última análise, à interação entre a sociedade e o ambiente na longa duração.

Entre a multiplicidade de trabalhos apresentados, incluem-se dois realizados na nossa região: um de caráter paleoambiental, sobre o impacto humano na serra da Cabreira durante o Holoceno[3], e um outro dedicado à relação entre a indústria e o ambiente na bacia hidrográfica do Ave[4]. Há muito por fazer no que respeita ao desenvolvimento da história do ambiente à escala regional e nacional, pelo que foi proposta, durante o congresso, a criação de uma rede portuguesa de história ambiental e humanidades. Esta rede pretende constituir grupos de investigação transversais, mobilizados em torno de uma questão central: como definir estratégias e prospetivas ambientais quando se conhecem mal os processos do passado? [5] A criação desta rede será, porventura, o melhor legado que este congresso poderá deixar entre nós, reduzindo a distância que, neste campo, nos separa ainda do resto do mundo. Uma associação de defesa do ambiente, como a AVE, não poderia deixar de desejar as maiores venturas a esta iniciativa.

Manuel M. Fernandes

[1] Second World Congress of Environmental History Environmental History in the Making: http://www.wceh2014.ecum.uminho.pt
[2] Livro de resumos disponível em: http://www.ecum.uminho.pt/arquivoFW/Documentos/2014/WCEH-FINAL-Abstract-Book.pdf
[3] Late Holocene Human Impact on the Landscape in the Cabreira Mountain and Upper Terva Valley, Northern Portugal, por Carla Ferreira, Gill Plunkett e Luis Fontes (resumo A318)
[4] An Adversarial Relationship: Industry and Environment in the River Ave Basin, por José M. Lopes Cordeiro e Francisco Silva Costa (resumo A455)
[5] In Carta dirigida aos participantes portugueses do congresso, por Inês Amorim, Arnaldo de Sousa Melo e Cristina Joanaz de Melo, em 4-06-2014.

Newsletter – Julho 2014

1. EDITORIAL 2. NOSSA AGENDA
3. OUTRAS AGENDAS 4. RESCALDO MÊS PASSADO
5. AMBIENTE EM NOTICIAS 6. LIGAÇÃO DO MÊS


1. EDITORIAL

Como tem sido habitual, com a chegada do verão as atividades da AVE abrandam de ritmo, mas neste mês de julho ainda teremos algumas atividades que esperamos sejam do vosso interesse.

Saudações ecológicas,

A Direção

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2. NOSSA AGENDA

11 julho – 18:00 Forum FNAC – Tertúlia Que se passa em Couros?

12 julho – 10:00 S. Torcato – Caminhada “Pelos trilhos da Agricultura Familiar”

22 julho – Líquenes à moda do Norte

25 julho – Massa Critica – 18:30 Largo da Oliveira

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3. OUTRAS AGENDAS

7 a 10 de julho – Cidade + – Cidadania, Ambiente e Sustentabilidade – Link evento

12 julho – Mercadinho – Encontro mensal de produtos naturais

16 julho – 2020 Challanges – Fibras nas Cidades Sustentáveis – link evento

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4. RESCALDO MÊS PASSADO

1 junho – Dias Cheios de Ideias – Oficina de Aromáticas

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7 junho – Caminhar em Guimarães – Caldelas

Foto grupo Caldelas

21 junho – A Ave o Solstício e a Bicicleta

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5. AMBIENTE EM NOTICIAS

Capital Eslovena Ljubljana nomeada Capital Verde Europeia 2016

Município da Europa com mais moinhos é português

Bicicletas gratuitas de Aveiro vão ter vida nova

Faro vai ter primeiro autocarro 100% elétrico do país

Universidade do Minho constrói paredes sustentáveis “revolucionárias”

Novos parques de estacionamento aumentam trânsito das cidades

Espinho: quatro padarias oferecem 10% de desconto a quem trouxer um saco de pano

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6. LIGAÇÃO DO MÊS – MARIA BICICLETA

Maria bicicleta

“MARIA BICICLETA é um trabalho documental baseado no testemunho de 20 mulheres que utilizam a bicicleta no seu dia-a-dia e desenvolvido ao longo de 20 semanas. Neste projecto explora-se e revela-se o lado feminino da bicicleta como algo natural, emocional e, de certa forma, espiritual. “

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Comunicado – Destruição de área REN em Guimarães

A propósito da destruição de uma área REN em Infantas, partilhamos comunicado que foi divulgado junto da comunicação social, e mail enviado Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional.

Comunicado

Destruição de Área de Reserva Ecológica Nacional no Concelho de Guimarães

A AVE – Associação Vimaranense Para a Ecologia – vem manifestar publicamente a sua preocupação com as agressões ao meio ambiente que estão a acontecer, desde o início de junho, nas imediações da Rua de Camões, freguesia de Infantas, concelho de Guimarães. Uma intervenção com maquinaria pesada provocou a destruição da cobertura vegetal existente, a alteração do relevo natural e a destruição de linhas de água, numa área aproximada de 3 hectares e classificada como Reserva Ecológica Nacional. Convém referir que a zona em causa tem um forte declive e que a destruição da vegetação poderá causar grandes danos a jusante em caso de chuva forte. Esta intervenção foi feita sem qualquer licença ou autorização, pelo que a AVE considera que estão a ser ultrapassados os limites estabelecidos por lei, causando graves danos ao meio ambiente numa zona de reconhecida vulnerabilidade a movimentos de vertente (deslizamentos).

Foi neste contexto que a AVE decidiu enviar à Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional (REN) uma denúncia, questionando a legalidade da intervenção e sublinhando a fragilidade, assim como a suscetibilidade geomorfológica da zona em causa.

Esperamos que a divulgação desta situação, também via comunicação social, possa chamar a atenção para a gravidade desta operação e suspender as ações em curso, esperando que se possam encontrar soluções de intervenção adequadas e que visem a melhoria do ambiente na sua globalidade.

Guimarães, 28 de junho de 2014

Mail enviado à Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional

Ex.mo/a Senhor/a

Presidente da Comissão Nacional da Reserva Ecológica Nacional,

 A AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia, Pessoa Coletiva n.º 509826830, com sede na Rua do Mercado Municipal, Edifício do Mercado Municipal, Loja 23T, 4835-065 Guimarães, registada como Organização Não Governamental de Ambiente sob o n.º 185/L, vem por este meio apresentar a seguinte denúncia, ao abrigo do Art.º 10.º da Lei n.º 35/98 de 18 de julho:

Nas imediações da Rua de Camões, freguesia de Infantas, concelho de Guimarães, com coordenadas aproximadas 41.427898, -8.253762, estão a ser efetuadas, desde o início do corrente mês de junho, as seguintes acções:

  • destruição da cobertura vegetal existente, nomeadamente cobertura florestal com carvalhos, castanheiros, cerejeiras bravas e um núcleo de amieiros;
  • alteração do relevo natural com recurso a maquinaria pesada, com armação do tereno em socalcos, deixando em situação instável os afloramentos graníticos existentes (penedos) por descalçamento;
  • destruição de linhas de água, devida à alteração do leito, destruição da vegetação ribeirinha e compactação do solo adjacente.

Estas operações afetam uma área estimada em mais de 3 hectares, com declive superior a 30%, classificada como Reserva Ecológica Nacional pela Resolução de Conselho de Ministros n.º 127/96, de 22 de agosto, abrangendo Áreas com Risco de Erosão e Cabeceiras de Linhas de Água.

Embora tudo leve a crer que o objetivo das operações descritas seja a plantação de eucaliptos, saliente-se que, de acordo com indicação do Instituto de Conservação da Natureza e das Florestas, não deu entrada nenhum pedido de arborização ou rearborização para a freguesia de Infantas, concelho de Guimarães.

Informamos ainda que, segundo um estudo apresentado à Universidade do Porto, a área em questão apresenta suscetibilidade geomorfológica a movimentos de vertente forte a muito forte (cf. Bateira, C.V.M. 2001. Suscetibilidade geomorfológica a movimentos de vertente, em unidades e elementos territoriais na área de Guimarães. In: Movimentos de vertente no NW de Portugal, susceptibilidade geomorfológica e sistemas de informação geográfica, FLUP, Porto, pp. 389-399, disponível em

http://web.letras.up.pt/dynat/PDF/Tese_Carlos_Bateira.pdf).

Remetemos em anexo localização da área e fotos da intervenção em curso.

Em face do exposto, requeremos a verificação do cumprimento do regime jurídico da Reserva Ecológica Nacional (RJREN) no local indicado, com imediata suspensão das operações em curso e a obrigação de reposição das condições do terreno anteriores a esta operação.

Pede-se deferimento.

Com os melhores cumprimentos,

O Presidente da Direção da AVE,

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Newsletter – Junho 2014

1. EDITORIAL 2. NOSSA AGENDA
3. OUTRAS AGENDAS 4. RESCALDO MÊS PASSADO
5. AMBIENTE EM NOTICIAS 6. LIGAÇÃO DO MÊS


1. EDITORIAL

Inauguramos a exposição “Aves que nos observam”, que pretende ser uma ferramenta pedagógica ao serviço das escolas do concelho. Podem ver a versão online neste link.

Foi publicada em diário da república a Lei de Bases gerais da politica pública de solos, de ordenamento de território e de urbanismo, que entrará em vigor no final do mês de junho.

Em junho temos mais uma caminhada da série “Caminhar em Guimarães”, que desta feita será sob o tema da ÁGUA e na vila das Taipas. Teremos também mais uma edição de A Ave, o Solstício e a Bicicleta.

Já no próximo dia 5 é Dia Mundial do Ambiente. Sugerimos que celebre esse dia refletindo sobre como agir nos outros 364 dias.

Saudações ecológicas,

A Direção

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2. NOSSA AGENDA

1 junho – Dias Cheios de Ideias – Oficina de Aromáticas

7 junho – Caminhar em Guimarães – Caldelas

21 junho – A Ave o Solstício e a Bicicleta

27 junho – Massa Critica – 18:30 Largo da Oliveira

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3. OUTRAS AGENDAS

5 junho – Dia Mundial do Ambiente

5 junho – Conferência “Modelos de Desenvolvimento, Sustentabilidade e Funções de Ecologia Urbana” – Programa

23-27 junho – Semana Europeia Energia Sustentável – Link

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4. RESCALDO MÊS PASSADO

1 maio – Caminhada De Lagoa e à volta de Aboim

Foto grupo

10 maio – Caminhada Solidária da ERDAL na Penha – FOTOS

16 maio – Inauguração da exposição “Aves que nos Observam”

Fotos Junta

24 maio – Caminhada Bioria – Salreu

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5. AMBIENTE EM NOTICIAS

Peneda-Gerês comemora 43 anos. Leia 8 sugestões para o futuro do parque

Há 3600 edifícios em risco de cheias em zonas críticas do país

Degelo da Antárctida já começou e é irreversível

Primeiro pneu do novo edifício ecológico da Póvoa do Lanhoso colocado na sexta-feira

Madrid expulsa el coche del centro

Where the World’s Unsold Cars Go To Die

Governo quer legalizar explorações em conflito com normas de ordenamento

Re-food projecto já a funcionar noutras cidades chega a Braga

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6. LIGAÇÃO DO MÊS – AVES DE PORTUGAL

aves de portugal

“O portal Aves de Portugal foi assim criado a pensar em todos os que gostam de observar aves selvagens e não dispões de informação atualizada sobre este assunto ou não sabem como a obter. O principal objetivo deste site é o de tornar mais fácil o acesso a informação completa e atualizada sobre os melhores locais para observar as aves selvagens de Portugal, seja para as fotografar, seja simplesmente para as poder identificar.”

 

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Exposição “Aves que nos observam”

Exposição de fotos de algumas das aves que podem ser avistadas no concelho de Guimarães. As fotos são em formato A3, são acompanhadas de um pequeno texto e estão disponíveis para empréstimo às escolas ou instituições que manifestem interesse.

Fotos e textos de Manuela Marques e Rui Osório.

Clicar nas imagens para ver apresentação com texto descritivo