Ninhos artificiais e a biodiversidade

A ONU declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade.
Em Guimarães, para celebrar e promover a Biodiversidade, a Câmara Municipal em parceria com o Guimarães Shopping, decidiu colocar ninhos artificiais em diversos parques urbanos do concelho.
Os meus parabéns a ambos pela iniciativa.
No entanto, se no plano das intenções estiveram bem, na prática ficaram muito aquém das minhas expectativas.
No dia 22 foram colocados 10 ninhos no parque da cidade, e eu estive lá (não a convite) para acompanhar in loco a operação. Sabendo que lá ia, fiz um curso intensivo sobre ninhos artificiais (20 minutos de Google), o que fez de mim, aparente e comparativamente, um expert no assunto.
Arrisco afirmar que dificilmente serão bem sucedidos os ninhos lá colocados.
Apesar de no dossier distribuído à imprensa (e aos penetras – eu) se referir que os ninhos seriam “cuidadosamente colocados nas árvores, de modo a estarem protegidos dos ventos e afastados das zonas de maior passagem”, nada disso se verificou.
Podem ser adoptadas iniciativas, que apesar de discretas, teriam realmente impacto na biodiversidade do parque da cidade.
Com base no tal curso intensivo, posso ainda afirmar que os ninhos escolhidos são tecnicamente limitados (para ser simpático): Não sendo visitáveis, não permitem a sua manutenção/limpeza, e a cobertura tem aberturas que potenciam infiltrações.
Divulgado como sendo um projecto de responsabilidade social e ambiental, o Guimarães Shopping, em vez de comprar os ninhos (espero não estar em erro) a uma qualquer empresa de fora do concelho, poderia ter optado por uma solução com mais responsabilidade social para com Guimarães.
Uma boa opção seria pedir a escolas que os fizessem a troco de um vale em artigos escolares. Teria a mais valia do contributo local e a sensibilização dos alunos.
Uma outra opção seria utilizar a carpintaria da CERCIGUI. Contributo para uma causa nobre e ninhos mais eficazes.
Espero que nos outros parques, os critérios para a escolha do local e orientação dos ninhos sejam mais rigorosos.
Sobre a biodiversidade, e sobre parques e zonas verdes, existentes ou novos, haverá muito para dizer, mas fica para uma próxima.
José Cunha