EIKPUNT – UMA COMUNIDADE ECOLÓGICA NOS PAÍSES BAIXOS

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Conversa sobre a possibilidade de um quotidiano alternativo (e sustentável)

Com Cristina Soeiro e Dick Timmer

Data e hora: 29 de julho de 2017, às 17h00

Local: Museu de Alberto Sampaio, Guimarães

Coordenadas: 41°26’33.37″N 8°17’32.18″W

Eikpunt é uma comunidade nos arredores de Nijmegen (Países Baixos), fundada em 2009, que assenta em quatro pilares: multigeracionalidade, sustentabilidade, silêncio e desenvolvimento comunitário. Situada perto do rio Waal, Eikpunt é formada por meia centena de habitações, construídas segundo princípios ecológicos e de eficiência energética, com a colaboração dos seus habitantes. É uma comunidade aberta à envolvente, onde o quotidiano é organizado de forma solidária, procurando coletivamente um modo de vida mais sustentável, menos dependente dos rituais frenéticos do consumismo.

Organização: AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia em parceria com o Museu Alberto Sampaio.

Caminhada “Subir a Rendufe” (Feira da Terra 2017)

No próximo dia 8 de julho, a AVE volta a colaborar na Feira da Terra (organização da ADCL), com uma caminhada pelo território torcatense. Todos os anos procuramos inovar e dar a conhecer zonas menos conhecidas desse belo vale. Desta vez, iremos explorar a encosta entre São Torcato e Rendufe, num percurso de 9 km.

Adira ao evento da caminhada no Facebook e fique a par de todas as informações até à data do evento.

Não é necessária inscrição na caminhada. Basta aparecer!

Apesar da caminhada ser curta e terminar previsivelmente antes das 13h, não havendo portanto piquenique, recomendamos que tragam um lanche da manhã e água suficiente para eventuais altas temperaturas.

NOTA: esta caminhada não inclui seguro e pode ser alterada por razões externas à organização.

Subindo a Rendufe

Vamos percorrer um caminho que vai de São Torcato, saindo do Terreiro desta vila, até Rendufe e regressa pela zona de fronteira com Atães (entrando nesta freguesia), passando pela Corredoura e regressando ao ponto de partida.

Gostaríamos de fazer três apontamentos de situações que iremos encontrar ao longo do percurso:

  • Com a importância dada ao transporte automóvel, pela nossa sociedade, cada vez é mais difícil percorrer caminhos que habitualmente ligavam as diferentes povoações e que agora são intransitáveis. Alguns troços de estradas que iremos percorrer, que nos permitem ligar caminhos preferencialmente pedonais, não contemplam zonas dedicadas aos peões, estando ocupados pela via dedicada aos automóveis. Alguns troços dessas estradas são percorridos, a pé, diariamente pelos moradores.
  • É cada vez mais difícil traçar percursos nas nossas aldeias, em locais aprazíveis, pois a nossa floresta está tomada pelo eucalipto levando a um empobrecimento da paisagem.
  • A vedação da propriedade privada e a apropriação de zonas que deveriam ser de acesso a todos (como sejam as margens ribeirinhas, os antigos caminhos públicos, etc.) por vezes fazem-nos sentir “presos cá fora”.

Logística

Pretendemos iniciar a caminhada às 9h00, na igreja de São Torcato. O ponto de encontro será às 8h45, perto da escadaria da igreja, junto ao recinto da Feira da Terra.

Para alguma eventualidade em que seja necessário contactar a organização, podem ser usadas duas alternativas: info@ave-ecologia.org (e-mail) ou 912 840 699 (telefone).

Ficha técnica

  • Distância: 9 km
  • Dificuldade: média, com algum desnível na primeira metade do trajeto.
  • Duração estimada: 4 horas

Antevisão

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Construção do parque de estacionamento adjacente às ruas da Caldeiroa, Liberdade e Camões

A AVE – Associação Vimaranense Para a Ecologia – vem questionar publicamente a construção de um parque de estacionamento no interior do quarteirão adjacente às ruas da Caldeiroa, Liberdade e Camões, recentemente apresentado pela Câmara Municipal de Guimarães, numa sessão de informação pública, considerando que:
  • não se encontra fundamentada a necessidade de aumentar o número de lugares de estacionamento automóvel em Guimarães, dado que não existem, ou não foram ainda tornados públicos, dados concretos sobre a ocupação atual dos parques de estacionamento existentes no centro da cidade e na sua periferia;
  • não se encontram esclarecidos os impactes previsíveis do novo parque de estacionamento, quer durante a fase de construção, quer durante a fase de exploração, nas condições de vida dos residentes e na circulação de veículos e pessoas nas vias adjacentes ao local de implantação;
  • não existe compatibilidade entre a envergadura do projeto e a sua implantação num local cujos acessos de entrada e de saída serão feitos através de vielas ou ruelas, sem dimensionamento adequado para a carga automóvel prevista, a que acrescem os direitos de acesso já existentes;
  • não foram apresentadas alternativas de localização do novo parque de estacionamento, cuja ponderação justifique a localização pretendida;
  • não foram apresentadas soluções de eventual aumento de capacidade dos parques de estacionamento já existentes.

A AVE discorda da pretensão de situar o novo parque no logradouro existente no interior de um quarteirão histórico, constituído por antigos quintais, dado que:

  • o revestimento vegetal do logradouro e o seu solo permeável contribuem para a regulação ambiental da cidade, em termos climáticos e hidrológicos, e de redução do ruído e da poluição atmosférica;
  • o logradouro em causa é também um refúgio para a biodiversidade em meio urbano, podendo vir a ter usos mais adequados e compatíveis com as suas funções ecológicas, como a reativação das hortas e quintais que já aí existiram, e a criação de espaços lúdicos e de espairecimento para todas as idades;
  • a pretensão de localização do novo parque de estacionamento evidencia uma lacuna no atual Plano Diretor Municipal, respeitante à Estrutura Ecológica Urbana, que não integrou os logradouros existentes no interior dos quarteirões, os quais têm vindo a ser “transformados” para outros usos, como sucedeu na Avenida de São Gonçalo, junto à Casa do Proposto (transformação de logradouro verde em parque de estacionamento) e na Rua de Santo António, no edifício do Património Municipal onde se encontra instalada a Associação dos Reformados (destruição de jardim para instalação de empedrado);
  • de acordo com o Decreto Regulamentar n.º 9/2009, de 29 de Maio, e respetiva Declaração de Retificação n.º 53/2009, de 28 de julho, os logradouros, embora não sendo abrangidos pelo conceito de espaços verdes de utilização colectiva, podem integrar a estrutura ecológica em solo urbano, desempenhando funções de proteção e valorização ambiental.
A AVE considera que a apresentação pública deste projeto remete para questões de fundo sobre a mobilidade em Guimarães, cuja abordagem se encontra ainda por fazer, de forma alargada à participação pública, nomeadamente as seguintes:
  • qual o modelo de mobilidade pretendido para a cidade e o concelho, numa perspetiva de longo prazo?
  • qual o efeito que a promoção dos modos de mobilidade suave pode ter na redução do uso do automóvel?
  • de que forma é possível libertar o investimento público atualmente sorvido pelo automóvel individual, canalizando-o para formas de mobilidade socialmente relevantes e mais justas, com destaque para um serviço de transporte público de passageiros com qualidade e dignidade?
A AVE apela à suspensão da adjudicação do projeto do novo parque de estacionamento, até que sejam esclarecidos, de forma pública e cabal, os seus pressupostos e respetivos estudos-base, nomeadamente qual a ocupação atual dos parques de estacionamento existentes, quais os impactos associados ao novo parque de estacionamento e respetiva mitigação, quais as alternativas existentes para a sua localização, e quais as possibilidades de aumento de capacidade dos parques já existentes.
A AVE considera que é necessário e urgente abrir um processo de discussão pública sobre as questões de fundo relativas à mobilidade em Guimarães, numa perspetiva de longo prazo, ponderando os efeitos da opção por modos de mobilidade suaves e a melhoria do serviço de transporte público de passageiros.
Guimarães, 5 de junho de 2017

A Carriça

Para o “Caminhar em Guimarães: Por Terras de Souto, Gonça e Gondomar”, ocorrido a 4 de junho (consultar roteiro ou evento Facebook), produzimos mais uma edição dos Bilhetes de Identidade da fauna e flora da nossa região. Voltamos às aves, para conhecer a interessante carriça. Descarregue o folheto original ou consulte abaixo o texto de Paulo Gomes.

A Carriça

Mais uma pequena ave que vive muito perto de nós e muitas vezes nem damos por ela. Diminuta, cauda arrebitada e plumagem castanho ferrugíneo. A cabeça e o dorso castanho mais escuro e parte de baixo do corpo mais claro, cor de areia. De perto vê-se que as sobrancelhas são um pouco mais claras e que o bico é longo, pontiagudo e ligeiramente encurvado. Mantém-se quase todo o ano na mesma zona, num território pouco extenso. Habita de preferência bosques húmidos, ricos em húmus, mas também gosta de jardins.

carrica1 No início da Primavera, o macho inicia um grandioso projeto de construção. Em menos de nada, instala no território que lhe pertence, diversos ninhos para aumentar as hipóteses de seduzir uma fêmea. Os ninhos são esféricos e ficam, no máximo, a três metros do solo. São feitos de folhas, musgo e outros materiais secos. Além de muito empreendedor, o macho da carriça dá sinais de ser um pouco perfecionista, já que está permanentemente a examinar a sua obra, tentando ver se há alguma folhinha a mais ou a menos. Na Primavera canta energeticamente, procurando atrair as fêmeas da redondeza. Pode surpreender-nos ao fazer o ninho em locais tão improváveis com um cabo de cebolas, uma peça de roupa que se deixou pendurada tempo de mais ou uma bota velha que penduramos numa árvore (pouco comum em caixas ninho). O macho deixa que a fêmea se ocupe dos ovos, enquanto procura seduzir outras fêmeas. Como se isso não bastasse, recomeça a fazer a corte à sua companheira logo que a primeira ninhada dá sinais de independência.

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O grafismo do folheto PDF foi da responsabilidade de Luís Gonçalves.

A propósito do dia mundial do meio ambiente e da vida que se faz nas árvores

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“As oliveiras, com os seus ramos torcidos e inclinados, eram para Cosimo esplêndidos caminhos, cómodos e planos. Ao mesmo tempo, aquelas árvores eram para ele mais queridas e pacientes, poquanto a casca, rugosa e cheia de asperidades, era das melhores para apoiar os pés e permitir o equilíbrio, ainda que os ramos grossos escasseassem bastante em cada árvore, não permitindo, deste modo, uma grande variedade de movimentos. Em vez delas, as figueiras, desde que se tenha o cuidado de não pisar senão aqueles ramos que suportem bem o peso, permitem, com a sua grande variedade de troncos e a extensão que cobrem, inúmeras voltas e itinerários sempre novos. Sob o espesso pavilhão das folhas, Cosimo vê o sol transparecer pelo meio das nervuras que riscam as largas páginas das folhas, os frutos verdes aumentarem pouco a pouco e sente o aroma do suco leitoso que escorre pelo colo dos pedúnculos. A figueira como que se apropria de quem está em cima dela, como que o impregna da sua seiva leitosa e até do próprio zumbido das abelhas; ao fim de pouco tempo, porém, Cosimo, na sua atitude de estática imobilidade, corria o risco de ele próprio se confundir com um figo e, pouco à vontade, afastava-se.
Está-se bem em cima de um rijo sobreiro ou de uma amoreira carregada de frutos; só é pena que escasseiem. Assim também as amoreiras. E, às vezes, eu próprio, que em tudo seguia o meu irmão, vendo-o enfronhar-se entre a ramaria de uma velha nogueira já meio carcomida, imaginando-a um estranho palácio de construção bizarra, com muitos pisos e inumeráveis quartos, sentia apoderar-se de mim um desejo quase irreprimível de o imitar, de subir também para cima das árvores; tal é a força e certeza com que uma árvore afirma a sua personalidade de árvore, e a sua obstinação em ser pesada e rija, que exprime até nas próprias folhas.”
 
Italo Calvino, O Barão Trepador. Editorial Teorema, Lisboa, 1999, pp. 101-102