Os Rios de Guimarães

Decorre até 17 de maio o período de participação pública das Questões Significativas da Gestão da Água, tendo a AVE estado presente na sessão sobre a Região Hidrográfica do Cávado, Ave e Leça (RH2), organizada pela Agência Portuguesa do Ambiente, em Braga, no passado dia 27 de março.

Os interessados podem obter mais informações e consultar o processo de participação pública nesta ligação.

Do Plano de Gestão da RH2 (agora em revisão) faz parte a caraterização das massas de água, tendo sido considerados 60 rios, e obtida a seguinte classificação.

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No quadro seguinte indicam-se os rios que pertencem a bacia hidrográfica do AVE e percorrem território do concelho de Guimarães, com a respetiva classificação e ligação para a ficha de caraterização.

Rio Classificação Ficha Caraterização
Agrela Razoável Agrela
Ave Medíocre Ave
Nespereira Razoável Nespereira
Selho Mau Selho
Vizela Bom Vizela

De notar que o Selho é um dos 5 rios da RH2 que está classificado como “MAU“, devendo ser motivo de reflexão o facto de percorrer apenas território de Guimarães.

 

Dia Mundial das Zonas Húmidas

Celebra-se hoje, dia 2 de fevereiro, o Dia Mundial das Zonas Húmidas.

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Segundo a definição da Convenção de Ramsar, Zonas Húmidas são “áreas de sapal, paul, turfeira, ou água, sejam naturais ou artificiais, permanentes ou temporários, com água que está estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda seis metros”.

Link para mais informações e material didático

Em Guimarães, o que temos de mais parecido com uma Zona Húmida é a Veiga de Creixomil, onde parte da sua área permanece inundada por largos períodos, sendo local de abrigo e alimentação para algumas aves migratórias.

Um local com grande valor ambiental, que devemos preservar, sendo merecedor de uma atenção especial da autarquia e duma visita atenta dos vimaranenses.

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No entanto existem problemas para resolver:

Uma parte da “humidade” do local provém do sistema de saneamento, conforme se pode comprovar pelo cheiro e aspeto da água.

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Só de galochas, ou a fazer equilibrismo nos muros se consegue percorrer o caminho real.

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Diagnóstico Ribeira de Couros

Foi apresentado no passado dia  27, no forum FNAC Guimarães, o diagnóstico fotográfico da Ribeira de Couros que a A.V.E. realizou durante o último ano.

Após a apresentação, Pedro Teiga partilhou a sua experiencia indicando qual é a tendência atual na politica de reabilitação de rios e ribeiras na qual é especialista , e na tertúlia que se seguiu comentou as opções feitas no caso da ribeira de Couros.

Da reflexão feita de todos estes contributos, serão apresentadas brevemente as conclusões deste diagnóstico.

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Forum Couros Passado, Presente e Futuro

Foi com muita expetativa que participei no 1º fórum do projeto COUROS CAMPURBIS – Envolvimento da população local, a que chamaram Couros – passado, presente e futuro.

Sabendo de antemão que este fórum não mudaria nada em relação ao que eu considero ser um atentado urbanístico em curso na zona de Couros, tinha a esperança que alguém me pudesse explicar as opções tomadas. (chamem-me crente)

O projeto: COUROS CAMPURBIS – Envolvimento da população local

Anunciado como sendo de envolvimento da população, num apelo à participação na decisão, eu pergunto: o que há para decidir?

Diz o slogan, “vamos juntos dar vida a Couros”, mas depois formam o conselho de comunidade onde só os moradores de Couros são convidados a participar, como se a revitalização da zona pudesse ou devesse ser feita apenas pelos locais.

Por não conhecer o suficiente, e por estar na fase inicial, vou dar o beneficio da dúvida aos promotores deste projeto, e esperar que as próximas atividades sejam mais esclarecedoras e produtivas.

O fórum – Couros – passado, presente e futuro

Com intervenções marcadamente politicas, foi praticamente uma campanha de promoção da obra feita/em curso.

De salientar pela positiva, a intervenção da Dra. Elisabete Pinto que surpreendeu com um pequeno documentário sobre as gentes de Couros.

A intervenção sobre o que é o projeto foi curta, vaga e sem direito a colocar dúvidas

Um fórum dum projeto que apela ao envolvimento e participação da população, mas onde apenas 3 cidadãos tiveram direito à palavra revela bem o quanto se valoriza essa participação.  

Fui para lá à procura de respostas, vim frustrado e ainda com mais perguntas.

O atentado urbanístico

A razão inicial da minha participação neste fórum foi tentar entender o que se está a passar no terreno ao lado da Fraterna, e que eu considero um atentado urbanístico.

O diagnóstico da Ribeira e zona de Couros está feito desde há muito pela CMG e pela UM, que dizem:

Revitalização e Valorização da Ribeira da Costa / Couros – CMG 

OBJETIVOS

Desenvolver uma gestão ambientalmente responsável da linha de água, promovendo e gerindo a permeabilidade do solo e do subsolo;

Preservação de espaços verdes, que se encontram enquadrados na cidade, favorecendo a sustentabilidade e a biodiversidade do sistema natural;

Criação de corredores ecológicos fluviais que assegurem a descontinuidade urbanística;

Fomentar a utilização pública destas áreas naturais, criando lugares de interface entre as vivências sociais e os espaços ribeirinhos;

Situação de referencia – Zona de Couros

 “Galeria ripícola inexistente – a impermeabilização das margens potencia cheias urbanas;

Carência de espaços permeáveis – os espaços impermeabilizados impedem a infiltração de água contribuindo para as cheias urbanas” 

Reabilitação de Meios Hídricos em Ambiente Urbano. O caso da Ribeira de Costa/Couros, em Guimarães

“A redescoberta da rede hidrográfica como elemento indispensável e imprescindível à qualidade de vida das populações urbanas torna necessário a criação de programas de reabilitação e requalificação de modo a mitigar os erros acumulados em muitas décadas onde a gestão dos meios hídricos nem sempre teve a relevância actualmente reconhecida.”

E eu digo:Please make your actions reflect your words.” Severn Suzuki Eco-92

Há municípios que estão dispostos a pagar para ter o que nós tínhamos: o programa “Porto, Cidade Sensível à Água”, considera fundamental despoluir, desentubar e reabilitar as linhas de água. Nós estamos a pagar para as entubar.

Neste terreno, corria em estado natural 100 mts dum afluente da Ribeira de Couros, que está a ser transformado num arruamento com acesso à Av. Afonso Henriques e num parque estacionamento com 80 lugares.

Para além dos danos ambientais: entubamento da linha de água, impermeabilização, perda biodiversidade, existe ainda a perda da oportunidade de tornar essa zona atrativa aos peões e utilizadores de bicicletas por oposição ao uso do automóvel.

 

Ouvi falar neste fórum de estratégia global da CMG: eu gostava de saber se entubar linhas de água e criar facilidades de acesso e estacionamento automóvel no centro da cidade faz parte dessa estratégia?

Ouvi também a falar de convivialidade: o que foi feito em termos urbanísticos para a promover? Estradas e parques de estacionamento?

Será que o acesso automóvel através da Av. Afonso Henriques é imprescindível para o CampUrbis?

Não se corre o risco da zona se tornar demasiado frequentada por automoveis e pouco apelativa aos peões?

Seria compatível o acesso viário e a manutenção da linha de água a descoberto?

Aqui estão algumas questões que vão ficar sem resposta. Extemporânias, por não se ter promovido a discussão em devido tempo, no entanto ajudavam a entender as opções.

José Cunha