Caminhada “Subir a Rendufe” (Feira da Terra 2017)

No próximo dia 8 de julho, a AVE volta a colaborar na Feira da Terra (organização da ADCL), com uma caminhada pelo território torcatense. Todos os anos procuramos inovar e dar a conhecer zonas menos conhecidas desse belo vale. Desta vez, iremos explorar a encosta entre São Torcato e Rendufe, num percurso de 9 km.

Adira ao evento da caminhada no Facebook e fique a par de todas as informações até à data do evento.

Não é necessária inscrição na caminhada. Basta aparecer!

Apesar da caminhada ser curta e terminar previsivelmente antes das 13h, não havendo portanto piquenique, recomendamos que tragam um lanche da manhã e água suficiente para eventuais altas temperaturas.

NOTA: esta caminhada não inclui seguro e pode ser alterada por razões externas à organização.

Subindo a Rendufe

Vamos percorrer um caminho que vai de São Torcato, saindo do Terreiro desta vila, até Rendufe e regressa pela zona de fronteira com Atães (entrando nesta freguesia), passando pela Corredoura e regressando ao ponto de partida.

Gostaríamos de fazer três apontamentos de situações que iremos encontrar ao longo do percurso:

  • Com a importância dada ao transporte automóvel, pela nossa sociedade, cada vez é mais difícil percorrer caminhos que habitualmente ligavam as diferentes povoações e que agora são intransitáveis. Alguns troços de estradas que iremos percorrer, que nos permitem ligar caminhos preferencialmente pedonais, não contemplam zonas dedicadas aos peões, estando ocupados pela via dedicada aos automóveis. Alguns troços dessas estradas são percorridos, a pé, diariamente pelos moradores.
  • É cada vez mais difícil traçar percursos nas nossas aldeias, em locais aprazíveis, pois a nossa floresta está tomada pelo eucalipto levando a um empobrecimento da paisagem.
  • A vedação da propriedade privada e a apropriação de zonas que deveriam ser de acesso a todos (como sejam as margens ribeirinhas, os antigos caminhos públicos, etc.) por vezes fazem-nos sentir “presos cá fora”.

Logística

Pretendemos iniciar a caminhada às 9h00, na igreja de São Torcato. O ponto de encontro será às 8h45, perto da escadaria da igreja, junto ao recinto da Feira da Terra.

Para alguma eventualidade em que seja necessário contactar a organização, podem ser usadas duas alternativas: info@ave-ecologia.org (e-mail) ou 912 840 699 (telefone).

Ficha técnica

  • Distância: 9 km
  • Dificuldade: média, com algum desnível na primeira metade do trajeto.
  • Duração estimada: 4 horas

Antevisão

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A Carriça

Para o “Caminhar em Guimarães: Por Terras de Souto, Gonça e Gondomar”, ocorrido a 4 de junho (consultar roteiro ou evento Facebook), produzimos mais uma edição dos Bilhetes de Identidade da fauna e flora da nossa região. Voltamos às aves, para conhecer a interessante carriça. Descarregue o folheto original ou consulte abaixo o texto de Paulo Gomes.

A Carriça

Mais uma pequena ave que vive muito perto de nós e muitas vezes nem damos por ela. Diminuta, cauda arrebitada e plumagem castanho ferrugíneo. A cabeça e o dorso castanho mais escuro e parte de baixo do corpo mais claro, cor de areia. De perto vê-se que as sobrancelhas são um pouco mais claras e que o bico é longo, pontiagudo e ligeiramente encurvado. Mantém-se quase todo o ano na mesma zona, num território pouco extenso. Habita de preferência bosques húmidos, ricos em húmus, mas também gosta de jardins.

carrica1 No início da Primavera, o macho inicia um grandioso projeto de construção. Em menos de nada, instala no território que lhe pertence, diversos ninhos para aumentar as hipóteses de seduzir uma fêmea. Os ninhos são esféricos e ficam, no máximo, a três metros do solo. São feitos de folhas, musgo e outros materiais secos. Além de muito empreendedor, o macho da carriça dá sinais de ser um pouco perfecionista, já que está permanentemente a examinar a sua obra, tentando ver se há alguma folhinha a mais ou a menos. Na Primavera canta energeticamente, procurando atrair as fêmeas da redondeza. Pode surpreender-nos ao fazer o ninho em locais tão improváveis com um cabo de cebolas, uma peça de roupa que se deixou pendurada tempo de mais ou uma bota velha que penduramos numa árvore (pouco comum em caixas ninho). O macho deixa que a fêmea se ocupe dos ovos, enquanto procura seduzir outras fêmeas. Como se isso não bastasse, recomeça a fazer a corte à sua companheira logo que a primeira ninhada dá sinais de independência.

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O grafismo do folheto PDF foi da responsabilidade de Luís Gonçalves.

Os Carvalhais de Fafe

No âmbito da caminhada “Aldeias das Margens do Rio Vizela”, que teve lugar no dia 23 de abril (consultar roteiro ou evento Facebook), produzimos mais uma edição dos folhetos educativos da AVE, desta feita dedicada aos Carvalhais de Fafe. Descarregue o folheto original ou consulte abaixo o texto de Manuel Miranda Fernandes.

Os Carvalhais de Fafe

Este percurso atravessa alguns trechos de carvalhal, que impõem uma singular presença na paisagem das serras de Fafe. Dominado por carvalho-alvarinho e carvalho-negral, este tipo de floresta alberga uma diversidade considerável de flora e fauna, constituindo um ecossistema com notável valor ecológico. Sabe-se que, após o final do último período glaciar, há cerca de 10.000 anos, os carvalhais formaram grandes extensões no noroeste ibérico, favorecidos pela melhoria das condições climáticas. As atividades humanas, como a pastorícia, a agricultura, a carvoaria e a mineração, levaram ao declínio destes bosques, que atualmente se encontram apenas em locais mais remotos ou de difícil acesso. Contudo, nos carvalhais de Fafe, a atividade humana pode ter contribuído para a sua conservação, através da indústria da casca de carvalho, outrora com grande valor económico local. A casca extraída de cada árvore, em intervalos de quatro anos, era seca e moída, sendo enviada como fonte de taninos para as indústrias de curtumes de Guimarães e do Porto. Embora esta prática tenha cessado, a sua memória mantém-se, tendo sido inaugurado em Aboim, em 2014, o Museu da Casca de Carvalho.

Notas sobre o carvalho-alvarinho (Quercus robur L.)

É uma árvore que atinge porte elevado (30 a 40 m de altura), com tronco robusto e copa ampla e regular. As folhas, verde-escuras na página superior e mais claras na inferior, são recortadas em lóbulos arredondados, murchando em cada Outono e brotando na Primavera seguinte (espécie caducifólia). As flores masculinas são minúsculas, amarelo-esverdeadas, dispostas em espigas pendentes (amentilhos); as flores femininas formam-se-se na axila das folhas. Os frutos são as conhecidas bolotas – uma semente envolvida por uma cúpula. Não devem ser confundidas com os bogalhos, que são uma forma de proteção da árvore contra as posturas de insetos.

A madeira, de excelente qualidade, é usada na construção civil e naval, em marcenaria e em tanoaria. O fruto pode ser usado na alimentação do gado, mas usou-se outrora para fazer pão. Esta árvore foi sempre considerada como uma das mais nobres das espécies florestais europeias, atingindo vários séculos de longevidade. Em Portugal é espontânea no Norte e Centro, nas áreas com maior pluviosidade.


A composição dos textos esteve a cargo de Paulo Gomes e o grafismo do folheto PDF foi da responsabilidade de Luís Gonçalves.

Aldeias das Margens do Rio Vizela

No passado dia 10 de abril, comemorou-se o 16.º aniversário da AVE. Como gostamos de celebrar a efeméride com a nossa comunidade de associados e amigos, convidamo-vos a festejar connosco em Fafe, com a caminhada “Aldeias das Margens do Rio Vizela”, no próximo dia 23 de abril! Ao longo de aproximadamente 15 km, as águas puras e cristalinas dos ribeiros, os bosques de carvalhos e os pequenos campos laboriosamente trabalhados que ladeiam o rio Vizela convidam o caminhante a sonhar.

Adira ao evento da caminhada no Facebook e fique a par de todas as informações até à data do evento.

Não é necessária inscrição na caminhada. Basta aparecer!

Aldeias das Margens do Rio Vizela

O percurso “Aldeias das Margens do Rio Vizela” (PR2 FAF) tem início na aldeia de Lagoa, junto ao santuário da Senhora das Neves, e leva os caminhantes a conhecer várias aldeias situadas ao longo dos primeiros quilómetros do rio Vizela – Gontim, Felgueiras, Pedraído e, claro, Lagoa -, além dos antiquíssimos e interessantes caminhos rurais, por calçadas mais ou menos preservadas, num sobe e desce constante pelas encostas das Serras de Fafe.

Ao longo do percurso deparamo-nos com uma das maiores e mais belas manchas de carvalhal do concelho e das regiões circundantes. Com efelto, na zona de Gontim e Pedraído, ainda somos surpreendidos com uma moldura florestal onde abunda o carvalho-alvarinho (Quercus robur) e, em menor escala, o carvalho-negral (Quercus pyrenaica) e outras arvores caducifólias, exemplos de um coberto vegetal riquíssimo. Nos vales do Vizela e dos seus afluentes, os salgueiros, amieiros, freixos e
choupos associam-se a prados marginais inundados por herbáceas de flores
multicolores e a zonas sombrias atapetadas por musgos e fetos de diversas
espécies, numa amostra da riqueza da flora ribeirinha.

Logística

Pretendemos iniciar a caminhada às 9h30. Estimando uma viagem com duração de 30 minutos a partir de Guimarães, o ponto de encontro terá lugar junto à entrada do campus da Universidade do Minho, em Azurém, às 8h40. Recomendamos a partilha de automóvel, para diminuirmos a pegada ecológica desta atividade.

Durante a caminhada, faremos um pique-nique sensivelmente a meio do percurso. Cada participante deverá levar o seu próprio farnel.

Ficha técnica

  • Distância: 15 km
  • Dificuldade: média, com alguns segmentos de piso muito irregular
  • Duração estimada: 7 a 8 horas

Aperitivo visual

Algumas imagens são da autoria do blog “O Nosso Rasto“.

 

Chapim Carvoeiro

Na caminhada do passado 26 de março, em Vizela, inaugurámos uma nova edição da AVE, com o objetivo de divulgar a flora e fauna que pode ser observada durante os nossos percursos pedestres. Acreditamos que quanto mais conhecermos a natureza mais nos maravilhamos com ela e mais a amamos e procuramos proteger. Para o Trilho de São Bento, começámos com o chapim carvoeiro, uma pequena ave muito comum nos nossos jardins e que, devido ao seu pequeno tamanho, já nos passou muitas vezes à frente sem darmos por isso. Descarregue o folheto original ou consulte abaixo toda a informação sobre a nossa estrela de março.

O B.I. do Chapim Carvoeiro

chapim-carvoeiroTamanho pequeno, entre 10 e 13 cm. Insetívoras, embora no inverno também consumam sementes. Muito acrobáticas, passam a maior parte do tempo no arvoredo. Muitas vezes, observam-se empoleiradas nos pequenos ramos, a alimentar-se de cabeça para baixo. Sobretudo residentes e nidificam em cavidades. Distingue-se dos outros chapins por ter a cabeça preta com uma grande mancha branca nas faces e uma mancha branca na nuca. As partes inferiores do corpo são de um tom acinzentado e as asas têm uma tonalidade olivácea. Quando agitado, pode levantar uma pequena poupa, semelhante a um espigão minúsculo, na parte posterior da coroa. É muito comum observá-lo em pequenos grupos no topo das árvores nos nossos jardins a alimentar-se dos pulgões aí existentes. São por isso considerados auxiliares na agricultura pois ajudam a controlar os ataques dessas pragas das fruteiras e de outras culturas.

Para mais informações visualize o vídeo:

https://www.youtube.com/watch?v=Yf_xRx9K6uQ


Os chapins carvoeiros podem ser atraídos até aos nossos jardins através da colocação de caixas ninho e de alimentadores, que diariamente serão abastecidos de misturas de sementes e frutos secos. Apresentamos abaixo uma dica para a confeção de um bolo para aves.

Receita de bolos para aves

  • Misturar amendoins, sementes de girassol, milho painço, flocos de aveia, passas, migalhas de pão ou bolo e bocadinhos muito pequenos de carne cozinhada com banha derretida.
  • Deixar arrefecer um pouco a mistura e deitá-la dentro de pequenos recipientes, cascas de coco ou embalagens de iogurte vazias, nas quais se fixou previamente no fundo um gancho ou um fio para os pendurar em posição invertida.
  • Os alimentadores devem ser colocados num local onde os predadores não cheguem e que permita uma fácil observação das aves.

A composição dos textos esteve a cargo de Paulo Gomes e o grafismo do folheto PDF foi da responsabilidade de Luís Gonçalves.