O Ambiente na História (9)

Esta rúbrica pretende relatar factos, noticias e curiosidades de outros tempos, relacionados com o ambiente no concelho de Guimarães.

urinol publico

Um comentário ao seguinte texto, é o de que acha-se um bocado cómico. Repare-se que podia haver certo cheiro à saída das missas que impedia as pessoas de se despedirem! Mas, é reflexo também de queixas sobre limpeza na nossa cidade, naquele tempo:

«Lamentações d’um philosopho. Descia, uma noite das ultimas, a rua da rainha um moço de aparência miserável, cara de fome, os olhos languidos, a barba desgrenhada. Trajava de luto, um facto coçado, lustroso, que benzina alguma poria em termos decentes.

Ouvimos as suas lamentações: «Esta camara é genial. E não há duvida que fantástica. Este urinol, aqui, em tapagem de corredor, não se pode dizer que fosse obra de genio, mas foi, com certeza, por filosofia de Tantalo.

O corredor era vasto urinol e, como talvez não bastasse, lembrou-se a camara d’um acréscimo… por via dos tântalos com vontade inexgotavel. Impele que, à saída das missas, ao domingo, os cumprimentos se demorem e tem, aliás, o urinol uma moralidade, como as fabulas – tapa os olhos honestos as tragedias cómicas, de que o corredor é tablado.»

Tinha fome e não deixava de ter razão, o tal philosopho.»

in, “Comércio de Guimarães”, 1901.

Ecoramicas à Mesa – Dia 3

encerramento

No terceiro dia das Ecorâmicas à Mesa, saímos da Fraterna e fomos à horta. Num pequeno percurso pedestre, por becos e vielas, fomos ao talhão da AVE nas hortas pedagógicas onde tivemos oportunidade de escutar e aprender com o nosso sócio João Ferreira, e onde colhemos alguns produtos para o jantar.

De volta à Fraterna, houve um pique nique partilhado, e complementado com arepas e ratatouille, numa demostração culinária dos chefes amadores Oliver e Romeo.

A tarde foi de cinema com dois excelentes filmes: uma quase estreia do Abelhas e Homens e com o Ouro Negro.

O encerramento foi no Cor de Tangerina com um magnifico jantar confecionado só com produtos biológicos, antecedido por um momento musical do Samuel, Carina e João.

Fotos do Luis Gonçalves

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Ecoramicas à Mesa – Dia 2

Feira produtos biologicos

Foi assim o menu do segundo dia das Ecorâmicas à Mesa:

  • Feira de produtos biológicos e comércio justo com mais de 10 produtores e vendedores
  • Demostração culinária com o Chef Rui Martins
  • Oficina de compotas com a Profª Francisca da Escola Agrícola de Santo Tirso
  • Demostração culinária com o Chef Renato Cunha
  • Performance musical com Samuel Coelho e João Guimarães
  • Exibição de 3 filmes: Sementes da Liberdade, DIVE!, O que Comemos, S.A.
  • Debate moderado pelo jornalista Samuel Silva

Fotos de Luis Gonçalves

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Ecoramicas à Mesa – Dia 1

auditorio

O primeiro dia das Ecorâmicas à Mesa foi dedicado à população escolar, e contou com a presença de mais de 100 alunos do Colégio do Ave, da EB23 Afonso Henriques, da EB23 de Infias e da ES Martins Sarmento que levou uma turna do curso profissional de restauração.

Foi exibido o filme “Dive” sobre o desperdício alimentar, e no final houve uma pequena palestra da nutricionista da Fraterna, Isabel Barros, complementada por uma demonstração culinária do Chef Dinis da Cor de Tangerina, que preparou uma “Tortilha”, mostrando que podemos reaproveitar sobras de refeições para confecionar um prato simples e rápido, derrubando o argumento da falta de tempo para justificar o recurso à fast food.

Menu pique nique saudável pela nutricionista Isabel Barros

Receita da Tortilha pelo Chef Dinis

Fotos de Luis Gonçalves

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À MESA É ONDE ESTOU EM CASA (E DONDE MELHOR SABOREIO O MUNDO)

Ecoramicas

1. Escrevo esta crónica no rescaldo das “Ecorâmicas à mesa”, um evento que, no passado fim-de-semana [11 a 13 de outubro], conjugou uma mostra de cinema documental sobre alimentação com uma feira de produtos da terra. Foram exibidos filmes sobre as transformações recentes da agricultura, sobre os monopólios que esmagam agricultores e consumidores, sobre a usurpação corporativa das sementes, a superabundância e o desperdício alimentar, o alarmante declínio das abelhas, os negócios do café. O público presente discutiu alguns destes temas, conheceu produtores locais e comprovou a excelência dos seus produtos, assistiu a demonstrações culinárias por chefs convidados, visitou a horta pedagógica e assistiu a um concerto inédito com hortaliças e utensílios de cozinha, transfigurados pela eletrónica. Participaram várias escolas e o público em geral, e suscitou-se interesse pela agricultura de proximidade e pelo gosto em comer melhor. Tudo isto com entrada livre e gratuita.

2. A organização (de que fiz parte) meteu na cabeça que seria possível concretizar as Ecorâmicas sem recorrer a subsídios específicos, nem a patrocínios especiais, ou sequer a operações de crowdfunding. Fomos criando, ao invés, uma rede de entidades locais, públicas e privadas, que ofereceu apoio logístico e custeou algumas despesas. A equipa organizadora mobilizou-se voluntariamente para dar corpo ao evento, nascido da parceria entre uma associação local de ambiente (AVE), uma cooperativa de serviços com um restaurante vegetariano (Cor de Tangerina) e um centro municipal dedicado a causas solidárias e à integração social (Fraterna). O efeito desta sinergia teve bom resultado: o evento concretizou-se com orçamento (quase) zero.

3. Dos vários percalços que a organização teve que resolver, houve um que causou surpresa: uma recusa de apoio logístico pelo executivo municipal cessante, comunicada na véspera do início do evento. Não é que se tivesse pedido alguma exorbitância – a não ser que se considere tal o transporte de materiais ou a oferta de brindes, a utilização de bancas expositoras ou o alojamento de dois voluntários. Será esta recusa efeito apenas da “política de retração de gastos”? Ou da falta de “disponibilidade de motoristas e carrinhas para aceder a este tipo de transporte”? Ou da suposição de se tratar de um evento “de iniciativa particular”? Ou terá sido, mais propriamente, uma manifestação serôdia da dificuldade em reconhecer e apoiar iniciativas da sociedade civil local, mesmo quando têm interesse público? Em pleno Ano Europeu dos Cidadãos, pode ser que tudo não tenha passado de um acesso momentâneo de mau humor, como se este pudesse ser um critério de que depende a relação entre os cidadãos e os poderes públicos por eles eleitos.

4. Valeu-nos um telefonema oportuno, valeu-nos a rede de apoios, valeu-nos a convicção de que a iniciativa não tinha marcha atrás. Durante as Ecorâmicas a mesa foi posta várias vezes: para as crianças das escolas que experimentaram um menu saudável, alternativo à fast food; para os participantes nas oficinas de culinária, que tiveram a oportunidade de provar sabores requintados; para os participantes no jantar de encerramento (que jantar!), confecionado com produtos de agricultura biológica. Não sabemos ainda que novas iniciativas poderão surgir daqui, mas o interesse em lançar em Guimarães um mercado de produtos biológicos começa a tomar forma. Resta manifestar a expectativa de que o novo executivo municipal, empossado enquanto decorriam as Ecorâmicas, mostre uma atitude mais cooperante com iniciativas que estimulem o envolvimento ativo dos cidadãos nas questões transversais do ambiente local.

Manuel M. Fernandes

 NOTA: este artigo foi redigido para a edição de O Povo de Guimarães de 18-10-2013, a qual não chegou a ser publicada devido à suspensão da atividade do jornal.