Variações sobre os trilhos de Maria da Fonte

Esta nossa caminhada de maio teve uma preparação atribulada. A aposta inicial era continuar o Caminhar em Guimarães, explorando o monte do Penedo da Bandeira, em Gonça, onde está localizado o já desativado aterro municipal. Gostaríamos de fazer uma visita guiada ao aterro, pois há muito para saber sobre como este operou e sobre como está agora a ser mantido. Mas, mais uma vez, as nossas solicitações à Resinorte não foram atendidas e continuamos portanto a saber o mesmo, i.e., muito pouco. Além disso, tivemos dificuldades em encontrar um percurso naquele monte que não fosse demasiado exigente e que pudesse oferecer alguma recompensa estética ou de interesse ambiental ao caminheiro. Abandonada a possibilidade Gonça, tivemos de rapidamente puxar de uma alternativa.

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Carvalho de Calvos (500+ anos)

A AVE, pelo menos nos anos mais recentes da sua atividade, nunca tinha percorrido o território da Póvoa de Lanhoso. No regresso da caminhada pela Serra da Cabreira do mês de abril, uma paragem pelo Carvalho de Calvos fez-nos recordar que o concelho vizinho tem património ambiental de relevo que é importante dar a conhecer. Só faltava escolher o trilho! Numa primeira análise, o PR1 – Maria da Fonte pareceu-nos ser o de mais interesse e, ainda por cima, atravessava o Centro Ambiental da Póvoa de Lanhoso, onde se situa o carvalho quinhentista. No entanto, durante o reconhecimento prévio, verificou-se que há vários segmentos do percurso intransitáveis, sem qualquer manutenção há vários anos. Tivemos portanto de explorar alternativas e desenhar um percurso acessível e com todos os ingredientes de uma boa caminhada da AVE.

À partida do Mosteiro de Fontarcada, terra da histórica Maria da Fonte, estavam 35 caminheiros (e a cadela Vila), todos bem dispostos e com vontade de bem aproveitar um belo dia de sol depois da chuvosa noite. Iniciámos a caminhada ligeiramente atrasados, mas a bom ritmo. As primeiras centenas de metros foram feitas a subir gradualmente por entre caminhos florestais. Antes do segundo quilómetro, enfrentámos a grande dificuldade do dia, uma subida muito íngreme por entre mato denso, que pôs toda a gente em altas pulsações e a tirar a roupa que tinha a mais. Subimos 100m de altitude em menos de 400m de distância! Tudo isto para nos desviarmos de um troço impraticável do PR1, mas também para chegarmos a um vasto afloramento granítico, de onde se pôde avistar o Castelo de Lanhoso e em que alguns participantes aproveitaram para fazer um pouco de praia. Infelizmente, a recente plantação de mais um eucaliptal no local anuncia o fim desta bela paisagem.

Descemos em direção ao Ribeiro de Frades, passando por velhos aglomerados de casas e por algumas quintas ao abandono, onde abundam coelhos bravos. A aproximação ao ribeiro causou algumas dificuldades, pois ainda corria muita água pela calçada. Atravessado o ribeiro e uma zona de moínhos, iniciámos a subida à aldeia de Calvos. Lá cima, chegados ao parque do Carvalho de Calvos, esperava-nos Filipa Araújo, que amavelmente sacrificou o final da manhã de domingo para nos abrir as portas do Centro de Interpretação e nos apresentar as instalações. Levou-nos finalmente ao monumental carvalho-alvarinho e descreveu-nos como consegue resistir há tantos séculos, apesar das agressões a que já foi sujeito. É atualmente o carvalho mais antigo da Península Ibérica e o segundo mais antigo da Europa!

Depois de um agradável almoço no jardim do parque, seguimos caminho pela antiga Via Romana XVII até perto da Ribeira do Pontido. Aqui, deixámos a calçada e seguimos um carreirinho marginal à ribeira, tecnicamente exigente, que nos levou a descobrir um cenário de contos de fadas, com velhas ruínas de moínhos cobertas de musgo, veredas ziguezagueantes por entre as árvores, e a malha de luz e sombra provocada pelos raios de sol primaveril atravessando a ramagem das árvores. Após 1 km, saímos do conto de fadas e demos com as traseiras da Póvoa. A partir daqui, tentámos manter-nos o mais possível em caminhos rurais ou pouco frequentados. O percurso ficou menos interessante, muitas vezes com asfalto e betão, mas já tínhamos saboreado o essencial da caminhada e o regresso a Fontarcada fez-se sem dificuldade.

Deixamos um agradecimento a todos os que nos deram o prazer de nos acompanhar nesta caminhada e um especial obrigado ao Centro Ambiental da Póvoa de Lanhoso, por ter ajudado a tornar esta atividade ainda mais interessante, e aos fotógrafos Francisco Silva e Isabel Arantes, por terem partilhado estas belas fotografias connosco. O percurso da caminhada pode ser consultado no Wikiloc.

 

 

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