Manifesto Pro-Desenvolvimento Sustentavel

MANIFESTO -Guimarães – Sec.XXI: Rumo à Sustentabilidade:

Ameaças:
A crescente polarização de Guimarães pelas fortes centralidades vizinhas, como Braga e Porto, remetendo a cidade para funções menos qualificadas económica e socialmente.
A representação social amplamente difundida que associa Guimarães com baixos níveis de qualificação, frágeis elites cientificas e culturais e diminutos indicadores de urbanidade qualificada.
A tentação de implementação de estratégias de competitividade organizacional assentes no “dumping social”, cujo principal factor concorrencial é o baixo salário e não a inovação e qualidade.
Oportunidades:
O esgotamento de um modelo de desenvolvimento e as sinergias associadas aos diferentes planos sectoriais de combate à crise económica e social (emprego, industria, trabalho infantil…).
Um processo de urbanização tardio, em contra-ciclo com o “boom” de crescimento urbano de cidades vizinhas, o que permite um repensar de estratégias de desenvolvimento urbano e rural sustentáveis.
Pontos Fracos:
O baixo nível de escolaridade e qualificação profissional das populações.
A mono-indústria assente em formas de organização do trabalho pouco competitivas e motivadoras.
Recursos naturais fortemente degradados por um modelo industrial e de expansão urbana, predatórios de paisagem, águas e terrenos agro-florestais.
O desvalor da escola enquanto principal factor de mobilidade e enriquecimento pessoal, simbolicamente partilhada por largas franjas da população.
O povoamento disperso e desordenado.
Frágil rede de transportes públicos eficazes e não poluentes.
Pontos Fortes
A vitalidade demográfica.
A classificação Guimarães Património Mundial.
As acessibilidades rodoviárias e localização geográfica.
A centralidade simbólica de Guimarães.
O “know-how” nos sectores têxteis, confecção e cutelarias.
A Universidade do Minho.
Objectivo Estratégico:
Ancorar o modelo de desenvolvimento de Guimarães em factores como a inovação industrial e tecnológica, assim como na excelência ambiental aliada ao património histórico-cultural, afirmando assim o concelho como uma nova centralidade ambiental e socialmente sustentáveis.
De que modo?
Alguns pontos de viragem:
– Combate sem tréguas ao abandono escolar.
– Concretização no terreno do Parque de Ciência e Tecnologia, envolvendo escolas e universidades, promovendo o emprego e uma intensa rede de estágios profissionais e cursos de (re)qualificação profissional para jovens e menos jovens.
– O planeamento e concretização de uma cidade e concelho à escala humana, evitando a tentação de esvaziamento do município rural e excessiva densificação da cidade com os respectivos custos ambientais e sociais associados.
– Criação de uma cintura ecológica, sob a forma de quatro corredores verdes temáticos, a saber:
· Montanha da Penha – Cerca Conventual – Parque da Cidade – Ciclovia Guimarães-Fafe (vocação montanha); equipamentos: centro de interpretação e educação ambiental;
· Vale de S.Torcato (vocação agro-florestal); equipamentos: unidade de produção e investigação agrícola, orientada para as práticas agrícolas sustentáveis; Produção de frescos horto-fruticolas.
· Veiga de Creixomil (zona húmida e agrícola); equipamentos: Parcelamento de hortas sociais, para sessões de educação ambiental e ensino de práticas agrícolas a cidadãos jovens e adultos; Produção de frescos horticolas.
· Sector médio do vale do rio Ave (biótopo ribeirinho), requalificando paisagisticamente e ambientalmente o rio, o leito de cheia e vertentes, equipamentos: Eco-Museu do rio Ave.
– Promoção de uma gestão sustentável dos espaços florestais municipais e uma articulação equilibrada entre espaços agro-florestais e urbanos, através da definição de um Plano Municipal de Ordenamento Florestal.
– Criação de uma rede ciclável na cidade e no perímetro urbano;
– Tornar o centro histórico de Guimarães, um zona exclusivamente pedonal e/ou ciclável.
– Adesão de Guimarães aos princípios inerentes à Agenda 21 local, de cidades e vilas sustentáveis. Rede Civitas (Carta de Aalborg – das cidades europeias para a sustentabilidade).
– Concretização de uma campanha sensibilizadora das populações, escolas, empresas, para práticas cívicas e ambientalmente responsáveis, associando-a a uma imagem nova de Guimarães, “eco-cidade”, de cultura e responsabilidade cívica.
– Incentivar a criação de uma rede de transportes públicos não poluentes (biodiesel/gás/célula hidrogénio) que ligue a cidade aos diferentes núcleos do concelho.
– Elaboração amplamente participada pelos diferentes actores locais de um Plano Estratégico e de Desenvolvimento Sustentável para o Município.

FRAGMENTAÇÃO DO H A B I T A T

CORREDORES ECOLÓGICOS PODEM AJUDAR A TRAVAR PERDA DE BIODIVERSIDADE
A ideia de criar caminhos para animais e plantas, isolados no meio de redes de estradas, de cidades e de outras formas de betão, deixou de ser uma mera intuição dos conservacionistas para travar a perda da biodiversidade. Um estudo norte-americano publicado este mês na revista “Science” constatou que os habitats ligados entre si por corredores ecológicos têm mais 20 por cento de espécies de plantas do que aqueles que estão isolados.
A bióloga norte-americana Ellen Damschen e mais quatro colegas da universidade do estado da Carolina do Norte estudaram, entre os anos de 2000 e 2005, o funcionamento destes corredores. Apesar de já se falar deles desde os anos 60 e 70, eram poucas as provas científicas de que conseguiam ser eficazes na protecção das espécies da maior ameaça à sua sobrevivência: a fragmentação do habitat.
Em declarações ao PUBLICO.PT, Ellen Damschen explica que esta investigação é diferente porque foi realizada a larga escala, com uma comunidade de 300 espécies de plantas e replicada em vários tipos de ligação entre habitats. Até ao momento, “a maioria das investigações estudou uma espécie de cada vez (…).
Os estudos com várias espécies têm escalas pequenas, na ordem dos dez centímetros, ou então não foram replicados, algo que é vital para uma experiência científica controlada”, disse.
Com a ajuda do Serviço Florestal norte-americano, os cinco cientistas criaram oito talhões numa zona de pinheiros protegida pelo Governo federal, no rio Savannah, perto de Aiken, na Carolina do Sul. Cada talhão, com 50 hectares, tinha cinco zonas distintas. Apenas duas delas estavam ligadas entre si por um corredor com 150 metros de comprimento e 25 de largura.
“Esta paisagem experimental ajudou-nos a compreender exactamente como funcionam os corredores ecológicos”, explicou ainda Ellen Damschen. “Contámos o número de espécies de plantas e a sua abundância durante cinco anos. No final do estudo, os habitats ligados por um corredor tinham mais 20 por cento das espécies do que aqueles que estavam isolados”, acrescentou.
Outra conclusão é que as espécies nativas “respondem de forma mais acentuada, enquanto as espécies invasoras não são afectadas”. A bióloga adianta que isso talvez se deva ao facto das invasoras já se encontrarem em quase todo o lado e de não precisarem de corredores para se movimentar.
CIENTISTAS SURPREENDIDOS COM RAPIDEZ DE RESPOSTA DAS PLANTAS
Os investigadores constataram que os corredores ajudaram à dispersão de sementes e à polinização. Os habitats ligados por corredores têm mais variedade de aves, roedores e insectos, ou seja, animais que dispersam as sementes e agem como polinizadores. “Pensávamos que as plantas eram um grupo de espécies bastante sedentário, enraizado num local (…). Não sabíamos até que ponto iríamos ver resultados num espaço de cinco anos. Mas o que presenciámos foi uma mudança drástica”, comentou Ellen Damschen. “As plantas podem sofrer alterações muito rapidamente através das suas interacções com a paisagem e os animais que nela vivem”, acrescentou.
Como resultado, os investigadores defendem os corredores ecológicos como uma forma eficaz de promover a biodiversidade porque possibilitam às espécies o acesso a mais recursos e, por isso, aumentam as suas hipóteses de sobrevivência – por exemplo, passando de um local com pouca água ou alimentos para outro com maior abundância. Além disso, estes caminhos permitem às espécies escapar a ameaças como os efeitos do aumento da temperatura. “Os corredores podem ajudar a proteger as plantas e os animais dos efeitos negativos das alterações climáticas porque permite-lhes deslocarem-se mais facilmente”, disse a bióloga ao PUBLICO.PT.
Actualmente já existem no terreno vários corredores ecológicos, desde os que ligam os dois lados de uma auto-estrada aos que ligam reservas naturais em vários países. Algumas das organizações não-governamentais que utiliza esta ferramenta de conservação estão a Nature Conservancy (no Chile), a Conservation
International (Amazónia) e a World Wildlife Fund (Índia).
in
28.09.2006 – 16h48 Helena Geraldes PUBLICO.PT
Participaram nesta investigação a Universidade do Estado de Iowa, a
Universidade de Washington (Seattle) e a Universidade da Florida
(Gainesville)..

BALANÇO

Cinco anos passados desde Abril de 2001, data da constituição da AVE, podemos em jeito de balanço afirmar que o movimento cívico e ambientalista local e globalmente apresenta sofríveis níveis de participação dos cidadãos, sendo pertinente questionarmo-nos se por falta de vitalidade das organizações se por uma manifesta falta de envolvimento das populações nas causas públicas.

Relativamente à AVE, podemos afirmar que a nossa actividade teve duas dinâmicas distintas no que concerne à participação dos cidadãos, associados ou não.

A primeira mais participada, em redor das actividades lúdicas e de sensibilização para o património ambiental, materializadas nos trilhos interpretativos organizados regularmente pela AVE no e fora do concelho.

A segunda com níveis de participação bem mais baixos organizou-se em redor da elaboração e divulgação de documentos relativos aquelas que considerávamos as melhores e mais sustentáveis opções para o desenvolvimento sócio-económico e ambiental do concelho e cidade.

Neste registo, podemos elencar em primeiro lugar a elaboração da proposta de corredor verde da AVE, integrada na revisão do Plano Director Municipal de Guimarães, agregando a montanha da Penha, a cerca conventual do mosteiro, o parque da cidade e a ciclovia Guimarães-Fafe.

Neste documento que envolveu membros direcção da AVE e outros exteriores à associação, entre eles alguns ligados ao Departamento de Geografia e Planeamento da Universidade do Minho, conseguimos elaborar uma proposta reflectida e fundamentada e sobre a qual ainda não recebemos qualquer resposta do município.

Ainda a elaboração do Manifesto Pró-Desenvolvimento Sustentável, documento orientador da intervenção da AVE no que concerne aquilo que nos parecem ser as opções prioritárias para um concelho social, económico e ambientalmente sustentável.

A participação no Fórum Agenda 21 Local, promovido pelo município em parceria com a Universidade Nova de Lisboa e outras instituições do concelho, no qual podemos afirmar algumas daquelas que considerámos serem as prioridades sócio-ambientais para o concelho.

Ainda a organização de conferências, relativas à floresta, à criação de uma rede ciclável em Guimarães, entre outras.

A participação através de artigos de opinião em jornais locais, assim como noutras instituições sempre que solicitado, enfim, tem enformado uma actividade que não sendo intensa no domínio da mobilização de cidadãos, tem sido a possível face à atrás citada frágil participação nas questões públicas e muitos menos nas ambientais.

Volvidos cinco anos é tempo de prepararmos novas eleições e com elas os novos corpos sociais da AVE. Assim informamos os nossos associados que estão abertas as candidaturas para o biénio 2007-09, devendo eventuais listas candidatas serem remetidas ao presidente da Assembleia-geral até ao próximo dia 31 de Dezembro de 2006, para o

AVE Apartado 73 – 4801 – Guimarães

Obrigado
A Direcção da AVE