No passado dia 21, a convite da Câmara Municipal de Guimrães, participamos na componente de educação ambiental do projecto de Revitalização e Valorização da Ribeira da Costa/Couros através de uma palestra a turmas do 8º ano da EB23 Afonso Henriques.
Trilho do Pombeiro
FOTOS
Notas do Filipe Gomes
Seriam dez menos um quarto quando estávamos na Ponte do Arco?
O Hélder indicou-nos o “Hospital”, mas hospital aqui era quando se serviam os viajantes, na antiga estrada de Pombeiro.
Sem muita história. Na ponte tinha a inscrição do marco do Couto do Real Mosteiro de Pombeiro, de 1724. Depois vimos a “Ufe”, uma quinta.
Parece que a estrada antiga vinha do “Monte de Eiriz”. Bom, dos meus apontamentos sei também de umas estradas ou melhoramentos de estradas, de 1842, que passavam em sítios como “ribeiro de Témonde” , ribeiro de Eiriz”, que eu não sei se é o mesmo que o Hélder chamava “ribeiro de Calvos”.
Passámos perto do Senhor dos Perdidos, um santuário por ali. Curioso seriam, segundo o Hélder, umas ruínas ao abandono de uma “Villa” romana já descoberta, um tesouro monetário ali e outro marco do mosteiro.
Vimos uma curiosa inscrição, de um lado e do outro de uma entrada:
Vá com Deus
Cultive a terra
Lembre-se de que a Pátria precisa
***
A arte de cultivar a terra e a arte
De enriquecer alegremente
Cultivar a terra é engrandecer Portugal”
Depois descemos para o mosteiro. Quem quiser que faça troça, mas eu tive pena, tive uma certa nostalgia quando vi as campas, as lajes de pedra que seriam dos maiores, dos guerreiros das terras, ali encostadas, frias, algumas partidas ao meio, atrás umas das outras, no claustro, ainda e quem sabe para sempre abandonado. Ó “Jóia do Vale” !
-O mosteiro-
O crepúsculo guerreiros
Imaginais do sono antigo que levastes
A terra a luz a água o abrigo
As estrelas e a paz do canto que já não cantais.
Um a um guerreiros
Repousais da via sinuosa que pelejastes
A vossa espada a cruz a vida
Em lajes tristes e lugares intemporais
O passado guerreiros
Levais as vossas bandeiras em hastes
A côr a manhã o desígnio
Fostes vós sempre leais.
António Filipe.
A “A.V.E.” no mosteiro de Pombeiro. 18-3-2012.
Newsletter Março 2012
| 1. EDITORIAL | 5. AMBIENTE EM NOTICIAS |
| 2. NOSSA AGENDA |
6. LIGAÇÃO DO MÊS |
| 3. OUTRAS AGENDAS | 7. DOCUMENTÁRIO |
| 4. RESCALDO MÊS PASSADO | 8. HUMOR VERDE |
1. EDITORIAL
Marcámos o último dia do mês passado (dia raro, que só surge no calendário de quatro em quatro anos) com a entrega de um contributo para a revisão do Plano diretor municipal (PDM) de Guimarães. Resultado da colaboração de um grupo de associados da AVE, este contributo ocupou-nos grande parte do mês de fevereiro, mas permitiu-nos apresentar algumas sugestões que poderão melhorar o PDM – o documento orientador da política municipal de ordenamento do território para a próxima década.
Ainda em fevereiro, demos início aos trabalhos na horta pedagógica. Foi um momento decisivo! Graças à colaboração de associados e amigos, o nosso talhão começa a tomar forma. Continuamos a apelar à participação nos trabalhos hortícolas em curso: toda a ajuda é bem-vinda.
Estivemos também nas Jornadas Culturais da Escola João de Meira, onde apresentámos (pela última vez?) o diagnóstico fotográfico da ribeira de Couros. Foi um momento importante de comunicação com alunos e professores, interessados nas atividades da AVE.
E agora março, um mês que será marcado por três momentos. Vamos regressar aos percursos pedestres com o Trilho de Pombeiro, no próximo dia 18. Vamos colaborar com a Academia de Música Valentim Moreira de Sá numa atividade ecológica e musical, no Parque da Cidade, em 24 de março, dia de Limpar Portugal. E vamos abrir as portas do projeto BIKE.POP, em colaboração com a Cooperativa POST, no mercado municipal, a partir de 30 de março.
Faça sua a nossa agenda: participe!
2. NOSSA AGENDA
18 Março – Caminhada em Pombeiro – 9:00 (junto Vimágua)
Trilho circular de âmbito paisagistico e patrimonial, que se estende por dominios do antigo Mosteiro de Pombeiro. Percurso com a extensão aproximada de 6 Km que acompanha uma parte do rio Vizela, iniciando–se no parque de campismo rural da bela e preservada freguesia de Pombeiro Riba Vizela. Entre pontes medievais e casas senhoriais do antigo dominio podemos desfrutar de uma paisagem eminentemente rural, culminando com uma passagem pelo belo e parcialmente restaurado Mosteiro de Pombeiro.
24 Março – Limpar Portugal com Academia Música Valentim Moreira de Sá
Numa iniciativa da Academia de Música Valentim Moreira de Sá, e a convite desta, a A.V.E. em associação com o Limpar Portugal promove uma ação de sensibilização ambiental através de uma limpeza simbólica da Ribeira de Couros no percurso do parque da cidade.
30 Março – Massa Critica – 18:30 Largo da Oliveira
A primeira Massa Critica da Primavera e à luz do sol.
30 Março -1 Abril – BIKE.POP – Bike Lounge e Oficina Aberta
A A.V.E. colabora com a Cooperativa POST no âmbito das POP UP`s da Capital Europeia da Cultura. Tendo a BICICLETA como tema central, iremos ter oficinas, livros, revistas, filmes e algumas surpresas. Oportunamente divulgaremos mais pormenores.
3. OUTRAS AGENDAS
3-11 Março – Casa da Marcha Gualteriana – Exposição 106 anos – Evento facebook
10-18 Março – Acampamento actua pelo TUA – Link Blogue
11 Março – Vento Norte – “Passaporte dos Parques Naturais”: Alvão +info
31 Março – Hora do Planeta 2012 – Video promocional
4. RESCALDO MÊS PASSADO
19 Fev – Plantação talhão da A.V.E. – Fotos
23 Fev – Jornadas Culturais – EB23 João de Meira – Post Blogue
24 Fev – Massa Critica – Foto
29 Fev – Revisão PDM – Contributo da A.V.E. Post Blogue
5. AMBIENTE EM NOTICIAS
Parlamento aprova resolução sobre mobilidade ciclável
Projeto Conservar Portugal da Aidnature.org
Diário Noticias – Reportagem especial sobre o Ambiente
Universidade Minho – Instituto de Ciência e Inovação para a Bio-sustentabilidade
Classificação do sobreiro como Árvore Nacional de Portugal
6. LIGAÇÃO DO MÊS
Um blogue simples e interessante onde pode encontrar 365 coisas que pode fazer para diminuir a sua pegada ecológica. (clique na imagem para aceder ao blogue)
7. DOCUMENTÁRIO – O BURGO DE COUROS – Grupo Santiago
Exercício documental sobre a zona das antigas fábricas de curtumes de Guimarães. “O Burgo de Couros” reúne memórias orais e iconográficas sobre o passado de uma actividade profissional exercida por curtidores e surradores. Foi apresentado no I Fórum de Couros, realizado no dia 29 de Outubro de 2011.
8. HUMOR VERDE
Revisão PDM
Contributo da Associação Vimaranense para a Ecologia na discussão da proposta de revisão do Plano Diretor Municipal de Guimarães.
Regulamento Acesso Centro Histórico
A Assembleia Municipal discutiu e aprovou por unanimidade o Regulamento de Acesso ao Centro Histórico de Guimarães.
Este regulamento, em substância, não trás quase nada de novo, e limita-se a passar a escrito as restrições habitualmente implementadas para aquele espaço.
Resumidamente, o regulamento impede o trânsito e estacionamento na zona intramuros das 21:30 às 7:00.
Fui à assembleia para ouvir argumentos, e para deixar expressa a minha opinião, mas não tive coragem para intervir.
Deixo aqui o que tinha escrito para lá falar:
Desde há muito que a mobilidade em Guimarães tem merecido a minha atenção e intervenção, e o que me traz aqui hoje é o novo regulamento de acesso ao centro histórico.
O Centro Histórico de Guimarães é património mundial há dez anos.
A UNESCO, no documento de nomeação de Guimarães a Património Mundial, no capitulo que fala dos fatores que afetam o “bem” (Centro Histórico), refere o automóvel em 3 dos seus 6 pontos, que eu resumi da seguinte forma:
- A circulação e estacionamento colidem com o espaço dos peões.
- A poluição sonora, visual e atmosférica afetam os visitantes.
- A circulação automóvel, acelera a degradação dos edifícios.
O que eles referem é óbvio, e creio que todos concordarão com essa leitura.
No entanto, e dez anos volvidos, o que foi feito para reverter a situação? Quase nada.
Estivemos dez anos a marcar passo, e quando temos a Capital Europeia da Cultura na nossa cidade, a justificar e exigir um passo firme e determinado rumo à pedonalização, o que é que fazemos?
Damos um passinho, tímido e medroso.
Ouço dizer repetidamente que temos que “receber bem” para colher os frutos da CEC no pós 2012, mas será que sujeitar quem nos visita a conviver com o automóvel em boa parte do nosso centro histórico é “receber bem”?
As cidades que concorrem com Guimarães pelos turistas certamente agradecem.
No preâmbulo do regulamento diz-se pretender “proteger e melhorar as condições de fruição e preservação do Centro Histórico intramuros, reduzindo o impacto negativo, estético e ambiental, da circulação automóvel e potenciando a mobilidade pedonal, designadamente dos visitantes”.
Acreditam sinceramente que condicionar o acesso entre as 21:30 e as 7:00 fará cumprir os objetivos pretendidos?
O tráfego nesse período corresponde a que percentagem diária?
Foi feito algum estudo? Sabem quantos, porquê e em que horários se acede ao CH?
Eu calculo que o período de acesso condicionado não ultrapassará os 10% do tráfego diário, pelo que pergunto: que problemas serão resolvidos?
Será que diminui substancialmente a passagem de carros pelo CH? Não.
Diminui o conflito com os peões? Não. Não é esse o período de maior afluência de peões.
Protege o edificado dos malefícios da circulação automóvel? Também não.
O Sr. Presidente da Câmara afirmou estes d
ias a um jornal que não admitirá que “a recolha de imagens de um monumento seja ferida por algo que não lhe corresponde”.
Dou um prémio a quem conseguir encontrar à venda um postal do Largo da Misericórdia (deste século). Porque será? Não é por falta de monumentos.
Até quando essa “pérola” da “jóia da coroa” vai continuar a ser um parque automóvel?
Quero deixar claro que não defendo soluções fundamentalistas.
Não defendo a proibição total de automóveis ao centro histórico, mas sim o acesso condicionado, acompanhado de incentivos à fixação de moradores e comércio.
Querer um centro histórico liberto de automóveis não é fundamentalismo.
Fundamentalismo, é submeter o centro histórico ao jugo do automóvel.
Fundamentalismo, é saber que as ruas do centro histórico não foram construídas nem dimensionadas para carros, mas mesmo assim, afetar 70 a 80% do seu espaço para uso do automóvel.
Fundamentalismo, é querer estacionar 15 carros na Rua do Retiro, ou 20 na Rua João de Melo.
Quando tomei conhecimento que estariam a preparar este regulamento, e tendo a perceção de que todos os partidos defendem o condicionamento automóvel no centro histórico, criei algumas expetativas, mas como diz o ditado, “a montanha pariu um rato”. E dos pequenos.
É minha convicção, que se este regulamento não for revisto a curto prazo, continuaremos a marcar passo.
Haja coragem!
Em aditamento ao que escrevi na altura, acabo com uma frase do presidente da câmara, proferida nessa assembleia: “Só governa quem desagrada, se for caso disso.”
José Cunha





