À MESA É ONDE ESTOU EM CASA (E DONDE MELHOR SABOREIO O MUNDO)

Ecoramicas

1. Escrevo esta crónica no rescaldo das “Ecorâmicas à mesa”, um evento que, no passado fim-de-semana [11 a 13 de outubro], conjugou uma mostra de cinema documental sobre alimentação com uma feira de produtos da terra. Foram exibidos filmes sobre as transformações recentes da agricultura, sobre os monopólios que esmagam agricultores e consumidores, sobre a usurpação corporativa das sementes, a superabundância e o desperdício alimentar, o alarmante declínio das abelhas, os negócios do café. O público presente discutiu alguns destes temas, conheceu produtores locais e comprovou a excelência dos seus produtos, assistiu a demonstrações culinárias por chefs convidados, visitou a horta pedagógica e assistiu a um concerto inédito com hortaliças e utensílios de cozinha, transfigurados pela eletrónica. Participaram várias escolas e o público em geral, e suscitou-se interesse pela agricultura de proximidade e pelo gosto em comer melhor. Tudo isto com entrada livre e gratuita.

2. A organização (de que fiz parte) meteu na cabeça que seria possível concretizar as Ecorâmicas sem recorrer a subsídios específicos, nem a patrocínios especiais, ou sequer a operações de crowdfunding. Fomos criando, ao invés, uma rede de entidades locais, públicas e privadas, que ofereceu apoio logístico e custeou algumas despesas. A equipa organizadora mobilizou-se voluntariamente para dar corpo ao evento, nascido da parceria entre uma associação local de ambiente (AVE), uma cooperativa de serviços com um restaurante vegetariano (Cor de Tangerina) e um centro municipal dedicado a causas solidárias e à integração social (Fraterna). O efeito desta sinergia teve bom resultado: o evento concretizou-se com orçamento (quase) zero.

3. Dos vários percalços que a organização teve que resolver, houve um que causou surpresa: uma recusa de apoio logístico pelo executivo municipal cessante, comunicada na véspera do início do evento. Não é que se tivesse pedido alguma exorbitância – a não ser que se considere tal o transporte de materiais ou a oferta de brindes, a utilização de bancas expositoras ou o alojamento de dois voluntários. Será esta recusa efeito apenas da “política de retração de gastos”? Ou da falta de “disponibilidade de motoristas e carrinhas para aceder a este tipo de transporte”? Ou da suposição de se tratar de um evento “de iniciativa particular”? Ou terá sido, mais propriamente, uma manifestação serôdia da dificuldade em reconhecer e apoiar iniciativas da sociedade civil local, mesmo quando têm interesse público? Em pleno Ano Europeu dos Cidadãos, pode ser que tudo não tenha passado de um acesso momentâneo de mau humor, como se este pudesse ser um critério de que depende a relação entre os cidadãos e os poderes públicos por eles eleitos.

4. Valeu-nos um telefonema oportuno, valeu-nos a rede de apoios, valeu-nos a convicção de que a iniciativa não tinha marcha atrás. Durante as Ecorâmicas a mesa foi posta várias vezes: para as crianças das escolas que experimentaram um menu saudável, alternativo à fast food; para os participantes nas oficinas de culinária, que tiveram a oportunidade de provar sabores requintados; para os participantes no jantar de encerramento (que jantar!), confecionado com produtos de agricultura biológica. Não sabemos ainda que novas iniciativas poderão surgir daqui, mas o interesse em lançar em Guimarães um mercado de produtos biológicos começa a tomar forma. Resta manifestar a expectativa de que o novo executivo municipal, empossado enquanto decorriam as Ecorâmicas, mostre uma atitude mais cooperante com iniciativas que estimulem o envolvimento ativo dos cidadãos nas questões transversais do ambiente local.

Manuel M. Fernandes

 NOTA: este artigo foi redigido para a edição de O Povo de Guimarães de 18-10-2013, a qual não chegou a ser publicada devido à suspensão da atividade do jornal.

Zona de Coexistência

A 1 de janeiro de 2014 entra em vigor o novo Código da Estrada e com ele uma nova zona na via pública: a Zona de Coexistência.

Artigo1 - Definições legais

O limite de velocidade nessas zonas é de 20 Kms/hora, e o peão é quem tem prioridade.

A zona intramuros do centro histórico de Guimarães, pelas suas características, deveria ser uma Zona de Coexistência a implementar pela Câmara Municipal. Ficamos a aguardar.

Artigo 78-A nr1

Artigo 78-A nr2

ECORÂMICAS À MESA

Cartaz ecorâmicas

PROGRAMA (clique na imagem para aumentar)


LISTA DOS FILMES

seeds of freedom banner

http://www.seedsoffreedom.info/

Sementes de Liberdade conta a história das sementes desde as suas raízes no coração de sistemas agrícolas tradicionais, ricos em diversidade em todo o mundo, até à sua transformação em um matéria prima poderosa, usada para monopolizar o sistema alimentar global. O filme destaca a forma como o sistema de agricultura industrial e sementes geneticamente modificadas, em particular, têm tido um impacto enorme na agrobiodiversidade evoluída por agricultores e comunidades em todo o mundo, desde o início da agricultura. Sementes de Liberdade visa contestar o dogma promovido pelo grupo pró-GM, de que a agricultura em escala industrial é o único meio pelo qual podemos alimentar o mundo. Ao seguir a história da semente, torna-se claro como a agenda das empresas levou à aquisição das sementes a fim de obter grandes lucros e controle sobre o sistema alimentar global.

 


dive banner

http://www.divethefilm.com/

É parte de um movimento norte-americano crescente que reanalisa o papel da alimentação numa sociedade que desperdiça 1/2 de tudo o que ela produz. Este é um apelo à ação. Nós inspiramos, despertamos, desafiamos, educamos e capacitamos os indivíduos a reduzir o desperdício em casa, trabalho, escola… Fazemos pressão para que supermercados, hotéis, restaurantes e empresas poupem mais e desperdicem menos.


food inc banner

http://www.takepart.com/foodinc

O documentário “Food, Inc.” retrata os perigos e as transformações operadas na indústria alimentícia norte-americana, os seus efeitos prejudiciais para a saúde pública, o meio ambiente e os direitos dos trabalhadores e dos animais. “Food, Inc.” explora o argumento de que os alimentos não vêm de quintas simpáticas, mas de fábricas industriais cuja prioridade é o lucro e não a saúde humana.


more than honey banner

http://www.morethanhoneyfilm.com/

Filme premiado que estreia em Portugal a 10 de outubro e  que 3 dias depois fará parte das “Ecorâmicas à Mesa”.

De há três anos a esta parte as abelhas andam a morrer em todo o mundo. Embora as causas ainda continuem a ser um mistério, uma coisa é clara: está em causa algo mais do que a simples morte de uns quantos insetos e bem mais do que apenas uma questão de mel. Em busca de respostas, o filme embarca numa viagem para encontrar as pessoas cujas vidas dependem das abelhas: de um apicultor suíço que vive nos Alpes até aos gigantescos pomares de amendoeiras na Califórnia, passando por um investigador do cérebro das abelhas em Berlim, uma comerciante de pólen na China e as abelhas assassinas do deserto do Arizona. Todos referem o desaparecimento das abelhas. O filme fala-nos das suas vidas. E das nossas.


black gold banner

http://blackgoldmovie.com/

As multinacionais do café dominam os nossos centros comerciais e supermercados e comandam uma indústria avaliada em mais de 80 mil milhões de dólares, fazendo deste produto a mercadoria comercial mais valiosa do mundo a seguir ao petróleo. Nós, consumidores, pagamos bem os nossos galões e cappuccinos, mas, os cultivadores de café, continuam a receber tão pouco deste valor que muitos se vêem forçados a abandonar os seus campos.


ORGANIZAÇÃO E APOIOS

Organização e apoios

Newsletter – Outubro 2013

1. EDITORIAL 2. NOSSA AGENDA
3. OUTRAS AGENDAS 4. RESCALDO MÊS PASSADO
5. AMBIENTE EM NOTICIAS 6. LIGAÇÃO DO MÊS
7. DOCUMENTÁRIO/VIDEO 8. HUMOR VERDE
9. O AMBIENTE NA HISTÓRIA


1. EDITORIAL

O mês de outubro será marcado pelas “ECORÂMICAS À MESA“.

Organizado em parceria com a Cooperativa Cor de Tangerina e com a Fraterna, é o evento do ano para a AVE, pelo que apelamos a todos os sócios e amigos que compareçam e se empenhem na sua divulgação.

Decorrerá entre 11 a 13 de outubro nas instalações da Fraterna, e do programa consta uma mostra de cinema documental dedicada à alimentação e à produção alimentar, uma feira de produtos da terra, com oficinas de culinária e degustação. O programa detalhado será divulgado em breve.

Vamos necessitar de alguns voluntários para participar/divulgar o evento, pelo que solicitamos a quem tiver interesse e disponibilidade o favor de enviar mail para ave.ecologia@gmail.com.

Saudações ecológicas.

A direção

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2. NOSSA AGENDA

5 a 19 Outubro – Exposição Aves de Guimarães

11 a 13 outubro – Ecorâmicas – Instalações da Fraterna

25 outubro – Massa Critica

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3. OUTRAS AGENDAS

2-16 outubro Ação pela Liberdade das sementes e alimentos.

6 outubro – SundaySlow – Feira da Terra de Vizela

6 outubro – Observação Aves no Parque do Bom Jesus do Monte

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4. RESCALDO MÊS PASSADO

2o setembro – Guimarães a Pedalar – Parking Day – fotos

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21 setembro – Guimarães a Pedalar

GMR Pedalar

27 setembro – Massa Critica – 3º Aniversário

- Massa Critica Set.2013 011

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5. AMBIENTE EM NOTICIAS

Inglaterra: duas colheres de chá de pesticida dizimam vida em 16 Km de rio

Nova Iorque vai ter programa que troca lixo por alimentos

Parque de Monserrate (Sintra) vence European Garden Awards

Barreiro adquire 12 autocarros amigos das bicicletas

Ecopista do Dão é a maior do país e recebeu prémio internacional

Estacionamento de bicicletas no Estádio do Dragão vence prémio Mobilidade em Bicicleta

Lisboa vai ter 110 bicicletas eléctricas para uso partilhado

Setúbal incentiva a ir de bicicleta para o trabalho

PERSU 2020 entra em discussão pública em Outubro

Petição Guimarães-Porto 50 minutos no Porto Canal

Ecologia: 31 municípios recebem Bandeira Verde

Série de animação da RTP2 aborda temas ligados ao desenvolvimento sustentável

Incêndios

Compreender os incêndios florestais de 2013. A eucaliptização do país. – Video

As consequências ambientais dos incêndios em Portugal

Primeiras chuvas de outono provocam erosão e contaminação das águas após os incêndios florestais

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6. LIGAÇÃO DO MÊS – SEGREDOS DA HORTA

segredos da horta

“Segredos da Horta é um projeto que tem por finalidade a divulgação da “Alimentação Vegetariana Natural” nas suas diversas vertentes: nutricional, prática e filosófica. Desenvolve-se, principalmente, pela realização de “Oficinas” de Formação em Alimentação Vegetariana, assim como Cursos e Sessões Práticas. O projeto realiza e dinamiza também iniciativas e atividades como por exemplo Palestras, Almoços e Jantares Vegetarianos, Pic-Nics e Encontros, entre outros, com o principal objetivo de dar a conhecer e levar a experimentar a Alimentação Vegetariana Natural.”

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7. DOCUMENTÁRIO/VIDEO

Mensagem de Vandana Shiva apelando à participação na quinzena pela Liberdade das Sementes e dos Alimentos.

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8. HUMOR VERDE

humor outubro

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9. O AMBIENTE NA HISTÓRIA

Esta rúbrica pretende relatar factos, noticias e curiosidades de outros tempos relacionados com o ambiente no concelho de Guimarães. LINK PARA O ARTIGO.

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O Ambiente na História (8)

Esta rúbrica pretende relatar factos, noticias e curiosidades de outros tempos, relacionados com o ambiente no concelho de Guimarães.

ambiente na historia

« No mundo das aves.

M. J. Roux ocupou-se em La Revue do que ele chamou “Os mestiers e profissões das aves”. Os seres alados – diz o autor- teem pedreiros que sabem levantar muros, cimentar com calhaus e tapar com argamassa. São assim o gavião, a picancilha, a andorinha, a narceja. Teem carpinteiros: o picanço, o torcicola, o picanço verde, que trabalham a madeira por dentro, de tal maneira que uma árvore fica parecendo uma imensa planta.

Há jardineiros, exemplo: o pavoncino, que não tem egual na limpeza dos carreiros dos jardins. Há os boemios, vagabundos e pilhadores, como os bico-crusados a quem Cornish chama os ciganos do mundo ornitológico. Encontram-se também polícias. Facto estranho, esses guardas da paz recrutam-se geralmente nas espécies mais fracas.

O papa moscas, não contente de assinalar por gritos a aproximação do perigo, não duvida em atacar o gavião, a águia e outras mais fortes do que ele. Inspira-lhes receio suficiente para os por em fuga, desde que o descobrem empoleirado numa árvore ou pousado sobre um fio telegráfico, que é o posto de observação seu favorito.

O tordo amedronta até o corvo e o falcão, mas não tranquilisa completamente aqueles que protege, pois de polícia passa algumas vezes a rapinante. Essas aves-polícias só devem o prestigio ao seu poder de resolução.

Um só, da espécie de tordo, basta para conter em respeito um bando de pardais  prestes a lançar-se sobre um campo ou a afastar o milhafre que já volteava sobre a capoeira.

Belo exemplo do que pode a defeza da ordem da propriedade.»

In, “O comércio de Guimarães”, 14 de julho de 1939, por J. Fontana da Silveira.