Dia Mundial das Zonas Húmidas

Celebra-se hoje, dia 2 de fevereiro, o Dia Mundial das Zonas Húmidas.

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Segundo a definição da Convenção de Ramsar, Zonas Húmidas são “áreas de sapal, paul, turfeira, ou água, sejam naturais ou artificiais, permanentes ou temporários, com água que está estagnada ou corrente, doce, salobra ou salgada, incluindo águas marinhas cuja profundidade na maré baixa não exceda seis metros”.

Link para mais informações e material didático

Em Guimarães, o que temos de mais parecido com uma Zona Húmida é a Veiga de Creixomil, onde parte da sua área permanece inundada por largos períodos, sendo local de abrigo e alimentação para algumas aves migratórias.

Um local com grande valor ambiental, que devemos preservar, sendo merecedor de uma atenção especial da autarquia e duma visita atenta dos vimaranenses.

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No entanto existem problemas para resolver:

Uma parte da “humidade” do local provém do sistema de saneamento, conforme se pode comprovar pelo cheiro e aspeto da água.

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Só de galochas, ou a fazer equilibrismo nos muros se consegue percorrer o caminho real.

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Ninhos artificiais e a biodiversidade

A ONU declarou o ano de 2010 como Ano Internacional da Biodiversidade.
Em Guimarães, para celebrar e promover a Biodiversidade, a Câmara Municipal em parceria com o Guimarães Shopping, decidiu colocar ninhos artificiais em diversos parques urbanos do concelho.
Os meus parabéns a ambos pela iniciativa.
No entanto, se no plano das intenções estiveram bem, na prática ficaram muito aquém das minhas expectativas.
No dia 22 foram colocados 10 ninhos no parque da cidade, e eu estive lá (não a convite) para acompanhar in loco a operação. Sabendo que lá ia, fiz um curso intensivo sobre ninhos artificiais (20 minutos de Google), o que fez de mim, aparente e comparativamente, um expert no assunto.
Arrisco afirmar que dificilmente serão bem sucedidos os ninhos lá colocados.
Apesar de no dossier distribuído à imprensa (e aos penetras – eu) se referir que os ninhos seriam “cuidadosamente colocados nas árvores, de modo a estarem protegidos dos ventos e afastados das zonas de maior passagem”, nada disso se verificou.
Podem ser adoptadas iniciativas, que apesar de discretas, teriam realmente impacto na biodiversidade do parque da cidade.
Com base no tal curso intensivo, posso ainda afirmar que os ninhos escolhidos são tecnicamente limitados (para ser simpático): Não sendo visitáveis, não permitem a sua manutenção/limpeza, e a cobertura tem aberturas que potenciam infiltrações.
Divulgado como sendo um projecto de responsabilidade social e ambiental, o Guimarães Shopping, em vez de comprar os ninhos (espero não estar em erro) a uma qualquer empresa de fora do concelho, poderia ter optado por uma solução com mais responsabilidade social para com Guimarães.
Uma boa opção seria pedir a escolas que os fizessem a troco de um vale em artigos escolares. Teria a mais valia do contributo local e a sensibilização dos alunos.
Uma outra opção seria utilizar a carpintaria da CERCIGUI. Contributo para uma causa nobre e ninhos mais eficazes.
Espero que nos outros parques, os critérios para a escolha do local e orientação dos ninhos sejam mais rigorosos.
Sobre a biodiversidade, e sobre parques e zonas verdes, existentes ou novos, haverá muito para dizer, mas fica para uma próxima.
José Cunha

PROGRESSO

El erizo

El erizo despierta al fin en su nido de hojas secas
y acudem a su memoria todas las palabras de su lengua,
que, contando los verbos, son poco más o menos
veintisiete.

Luego piensa: El invierno ha terminado,
Soy un erizo, Dos águilas vuelan sobre mí;
Rana, Caracol, Aranã; Gusano, Insecto,
En qué parte de la montañas os escondéis?
Ahí está el río, Es mi território, Tengo hambre.

Y vuelve a pensar: Es mi territorio, Tengo hambre,
Rana, Caracol, Araña, Gusano, Insecto,
En qué parte de la montaña os escondeis?

Sin embargo, permanece quieto, como una hoja seca más,
porque aún es mediodía, y una antigua ley
le prohíbe las águilas, el sol y los cielos azules

Pero anochece, desaparecen las águilas, y el erizo,
Rana, Caracol, Araña, Gusano, Insecto,
Desecha el rio y sube por la falda de la montaña,
tan seguro de sus púas como pudo estarlo
un guerrero de su escudo, en Esparta o en Corinto;

Y de pronto atraviesa el límite, la línea
que separa la tierra y la hierba de la nueva carretera,
de un solo paso entra en su tiempo y el mio;
Y como su diccionario universal
no ha sido corregido ni aumentado
en estos últimos siete mil años,
no reconoce las luces de nuestro automóvil,
y ni siquiera se da cuenta de que va a morir.

Bernardo Atxaga, in Poemas & híbridos, Plaza Janés, 1997