A propósito do dia mundial do meio ambiente e da vida que se faz nas árvores

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“As oliveiras, com os seus ramos torcidos e inclinados, eram para Cosimo esplêndidos caminhos, cómodos e planos. Ao mesmo tempo, aquelas árvores eram para ele mais queridas e pacientes, poquanto a casca, rugosa e cheia de asperidades, era das melhores para apoiar os pés e permitir o equilíbrio, ainda que os ramos grossos escasseassem bastante em cada árvore, não permitindo, deste modo, uma grande variedade de movimentos. Em vez delas, as figueiras, desde que se tenha o cuidado de não pisar senão aqueles ramos que suportem bem o peso, permitem, com a sua grande variedade de troncos e a extensão que cobrem, inúmeras voltas e itinerários sempre novos. Sob o espesso pavilhão das folhas, Cosimo vê o sol transparecer pelo meio das nervuras que riscam as largas páginas das folhas, os frutos verdes aumentarem pouco a pouco e sente o aroma do suco leitoso que escorre pelo colo dos pedúnculos. A figueira como que se apropria de quem está em cima dela, como que o impregna da sua seiva leitosa e até do próprio zumbido das abelhas; ao fim de pouco tempo, porém, Cosimo, na sua atitude de estática imobilidade, corria o risco de ele próprio se confundir com um figo e, pouco à vontade, afastava-se.
Está-se bem em cima de um rijo sobreiro ou de uma amoreira carregada de frutos; só é pena que escasseiem. Assim também as amoreiras. E, às vezes, eu próprio, que em tudo seguia o meu irmão, vendo-o enfronhar-se entre a ramaria de uma velha nogueira já meio carcomida, imaginando-a um estranho palácio de construção bizarra, com muitos pisos e inumeráveis quartos, sentia apoderar-se de mim um desejo quase irreprimível de o imitar, de subir também para cima das árvores; tal é a força e certeza com que uma árvore afirma a sua personalidade de árvore, e a sua obstinação em ser pesada e rija, que exprime até nas próprias folhas.”
 
Italo Calvino, O Barão Trepador. Editorial Teorema, Lisboa, 1999, pp. 101-102

Dia da árvore – que sejam todos os dias

Apollo and Daphne
Apolo e Dafne, Piero del Pollaioloóleo sobre madeira, c. 1470-80, The National Gallery

“Mal acabara a sua súplica, quando um pesado torpor invade os seus membros;
Uma delgada cortiça cinge o seu delicado peito;
Os cabelos crescem como folhas, os braços como ramos,
Os seus pés até há pouco tão velozes aderem por raízes preguiçosas;
Em lugar do rosto tem uma copa; apenas a beleza permanece nela.”

Ovídio, Metamorfoses, vv. 548-552

Rolamento e abate de árvores na Lapinha

No inicio deste ano fomos alertados por um associado, para a “barbárie” que a Irmandade da Lapinha cometeu nos terrenos circundantes da sua igreja. O que lá se passou é sem dúvida um crime ambiental incompreensível. Mais de meia centena de árvores de várias espécies e idades foram severamente mutiladas ou decepadas.

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Estas mutilações (numa escala menos grave) repetem-se um pouco por todo o concelho, o que nos leva a questionar:

  1. Com que critérios se fazem esses rolamentos a que chamam podas?
  2. Que formação técnica tem quem as realiza?
  3. Algum técnico com formação acompanha essas ações?

Questões que serão colocadas oportunamente a quem de direito.

Vejam o exemplo no local onde a pedagogia devia imperar

Horta pedagógica

Para que se compreenda o que está em causa, partilhamos um pequeno excerto do programa Biosfera sobre a gestão de árvores em meio urbano.

Biosfera gestão de árvores em meio urbano from Farol de Ideias on Vimeo.

Oficina de jardinagem

Ficam aqui as fotos da oficina de jardinagem realizada a 12 de Junho.

Agradecimentos aos participantes, ao grupo de trabalho da Educação Ambiental pela organização, ao Terra de Ninguém  e ao Cor de Tangerina  pela cedência dos espaços.

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