Relatório das histórias locais contadas pelo pastor Sr. António, e compiladas pelo Filipe Gomes.
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Relatório das histórias locais contadas pelo pastor Sr. António, e compiladas pelo Filipe Gomes.
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Nota da redação: a newsletter de outubro ficou no tinteiro por absoluta falta de disponibilidade. Esperamos que nos perdoem, mas continuamos a insistir na mesma tecla: algum voluntário/a para colaborar nas próximas newsletters? Será bem-vindo/a.
SUMÁRIO
ACTIVIDADES EM NOVEMBRO
1. Ecorâmicas #3 | Nacional 206 | 6-11-2011
2. Caminhada Fisgas do Ermelo | 13-11-2011
3. Massa crítica | 25-11-2011
4. Apresentação do diagnóstico da Ribeira de Couros | 27-11-2011
OUTRAS INICIATIVAS: DIVULGAÇÃO
5. Centenário da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães | 12-11-2011
ACTIVIDADES EM NOVEMBRO
1. Ecorâmicas | Nacional 206 | 6-11-2011 18.00 no Forum FNAC Guimarães
Nacional 206 de Catarina Alves Costa Laranja Azul, 2008 Dv Cam, 53’
Sinopse: Fábrica de têxteis. Estrada Nacional 206, entre Guimarães e Famalicão, no Vale do Ave. À procura de testemunhos sobre os percursos escolares, encontramos o quotidiano e a rotina de uma fábrica que nunca pára, dia e noite, e dos que nela trabalham. O filme mostra uma empresa com oitenta anos, ainda nas mãos da terceira geração de familiares do sr. Oliveira, o fundador. Com 1200 trabalhadores, exporta 80% da sua produção para a Alemanha, os EUA e o Japão produzindo tecido de grande qualidade para marcas como Armani e Hugo Boss. Dentro dos seus corredores e maquinaria, seguimos o quotidiano e rotina dos trabalhadores que nos falam da escola, e do seu percurso profissional e pessoal.
Ligação: http://cultura.fnac.pt/Agenda/fnac-guimaraes?date=2011/11/6
2. Caminhada Fisgas do Ermelo | 13-11-2011 (dom)
Com inicio e final na aldeia de Varzigueto, Mondim de Basto, o trilho desenrola-se numa paisagem tipica de montanha, com os seus lameiros e bosques de pinheiro silvestre, enformados pelo rio Olo, que se precipita para as Fisgas de Ermelo, uma das maiores quedas de água de Portugal e da Europa.
O trilho será guiado por um pastor local, profundo conhecedor da paisagem envolvente às Fisgas de Ermelo.
Após a caminhada será servido um repasto no único café/restaurante de Varzigueto, tendo por ementa o cozido à portuguesa.
Mais informações e inscrições através do mail ave.percursos@gmail.com.
3. Massa crítica | 25-11-2011 (sex) às 18.30 no Largo da Oliveira
No passado dia 28 de outubro a Massa Critica de Guimarães foi um excelente exemplo de cidadania ativa.
Estiveram presentes cerca de 40 adeptos da bicicleta como meio de transporte, estando bem representadas todas as idades e ambos os sexos. Já sabe: pedale todos os dias, festeje uma vez por mês.
Junte-se a nós na próxima Massa Crítica. Mais info na página do facebook.
4. Apresentação do diagnóstico da Ribeira de Couros | 27-11-2011 (dom) às 17.00 no Forum FNAC
Após cinco saidas de campo em 2010 e 2011 para fotografar a Ribeira de Couros ao longo do seu percurso, vamos finalmente apresentar o resultado e as nossas conclusões.
Será nosso convidado Pedro Teiga, especialista em reabilitação de rios e ribeiras, e coordenador nacional do Projeto Rios.
OUTRAS INICIATIVAS: DIVULGAÇÃO
5. Centenário da Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães | 12-11-2011 (sab) das 10.30 às 17.00 no Largo João Franco
Ao comemorar o seu centenário, a Sociedade Protetora dos Animais de Guimarães promove mais uma campanha de adoção de animais de companhia.
A AVE apoia e colabora nesta campanha e, quem tiver interesse e disponibilidade em ajudar, poderá contatar a organização através do email: geral.spaguimaraes@gmail.com
Colaborem e divulguem.
Ainda não é sócio/a da AVE? Informe-se AQUI
Mais informações sobre a newsletter e as atividades da AVE:
Alcino Martins Casimiro | Telem. 919680281
José Francisco Cunha | Telem. 933704026
Foi com muita expetativa que participei no 1º fórum do projeto COUROS CAMPURBIS – Envolvimento da população local, a que chamaram Couros – passado, presente e futuro.
Sabendo de antemão que este fórum não mudaria nada em relação ao que eu considero ser um atentado urbanístico em curso na zona de Couros, tinha a esperança que alguém me pudesse explicar as opções tomadas. (chamem-me crente)
O projeto: COUROS CAMPURBIS – Envolvimento da população local
Anunciado como sendo de envolvimento da população, num apelo à participação na decisão, eu pergunto: o que há para decidir?
Diz o slogan, “vamos juntos dar vida a Couros”, mas depois formam o conselho de comunidade onde só os moradores de Couros são convidados a participar, como se a revitalização da zona pudesse ou devesse ser feita apenas pelos locais.
Por não conhecer o suficiente, e por estar na fase inicial, vou dar o beneficio da dúvida aos promotores deste projeto, e esperar que as próximas atividades sejam mais esclarecedoras e produtivas.
O fórum – Couros – passado, presente e futuro
Com intervenções marcadamente politicas, foi praticamente uma campanha de promoção da obra feita/em curso.
De salientar pela positiva, a intervenção da Dra. Elisabete Pinto que surpreendeu com um pequeno documentário sobre as gentes de Couros.
A intervenção sobre o que é o projeto foi curta, vaga e sem direito a colocar dúvidas
Um fórum dum projeto que apela ao envolvimento e participação da população, mas onde apenas 3 cidadãos tiveram direito à palavra revela bem o quanto se valoriza essa participação.
Fui para lá à procura de respostas, vim frustrado e ainda com mais perguntas.
A razão inicial da minha participação neste fórum foi tentar entender o que se está a passar no terreno ao lado da Fraterna, e que eu considero um atentado urbanístico.
O diagnóstico da Ribeira e zona de Couros está feito desde há muito pela CMG e pela UM, que dizem:
Revitalização e Valorização da Ribeira da Costa / Couros – CMG
OBJETIVOS
Desenvolver uma gestão ambientalmente responsável da linha de água, promovendo e gerindo a permeabilidade do solo e do subsolo;
Preservação de espaços verdes, que se encontram enquadrados na cidade, favorecendo a sustentabilidade e a biodiversidade do sistema natural;
Criação de corredores ecológicos fluviais que assegurem a descontinuidade urbanística;
Fomentar a utilização pública destas áreas naturais, criando lugares de interface entre as vivências sociais e os espaços ribeirinhos;
Situação de referencia – Zona de Couros
“Galeria ripícola inexistente – a impermeabilização das margens potencia cheias urbanas;
Carência de espaços permeáveis – os espaços impermeabilizados impedem a infiltração de água contribuindo para as cheias urbanas”
Reabilitação de Meios Hídricos em Ambiente Urbano. O caso da Ribeira de Costa/Couros, em Guimarães
“A redescoberta da rede hidrográfica como elemento indispensável e imprescindível à qualidade de vida das populações urbanas torna necessário a criação de programas de reabilitação e requalificação de modo a mitigar os erros acumulados em muitas décadas onde a gestão dos meios hídricos nem sempre teve a relevância actualmente reconhecida.”
E eu digo: “Please make your actions reflect your words.” Severn Suzuki Eco-92
Há municípios que estão dispostos a pagar para ter o que nós tínhamos: o programa “Porto, Cidade Sensível à Água”, considera fundamental despoluir, desentubar e reabilitar as linhas de água. Nós estamos a pagar para as entubar.
Neste terreno, corria em estado natural 100 mts dum afluente da Ribeira de Couros, que está a ser transformado num arruamento com acesso à Av. Afonso Henriques e num parque estacionamento com 80 lugares.
Para além dos danos ambientais: entubamento da linha de água, impermeabilização, perda biodiversidade, existe ainda a perda da oportunidade de tornar essa zona atrativa aos peões e utilizadores de bicicletas por oposição ao uso do automóvel.
Ouvi falar neste fórum de estratégia global da CMG: eu gostava de saber se entubar linhas de água e criar facilidades de acesso e estacionamento automóvel no centro da cidade faz parte dessa estratégia?
Ouvi também a falar de convivialidade: o que foi feito em termos urbanísticos para a promover? Estradas e parques de estacionamento?
Será que o acesso automóvel através da Av. Afonso Henriques é imprescindível para o CampUrbis?
Não se corre o risco da zona se tornar demasiado frequentada por automoveis e pouco apelativa aos peões?
Seria compatível o acesso viário e a manutenção da linha de água a descoberto?
Aqui estão algumas questões que vão ficar sem resposta. Extemporânias, por não se ter promovido a discussão em devido tempo, no entanto ajudavam a entender as opções.
José Cunha
Integrado nas “Ecorâmicas” – Mostra de Cinema
Documental – decorreu no passado Domingo, dia 2 de Outubro, no forum FNAC Guimarães, a exibição do documentário “Um pouco mais pequeno do que o Indiana” de Daniel Blaufuks, comentado no final pelo geógrafo e professor universitário João Sarmento.
E a terra contorce-se…ainda sentimos esta geografia?
Vejo o bailado da bandeira de Portugal que encerra este documentário filmado no final do verão de 2004, como expressão de um país que se contorce sobre si mesmo, que se esperneia, que sofre, que luta internamente contra a sua Geografia. Daniel Blaufuks procurou o lado negro da paisagem e encontrou-o, ao virar da esquina, muto mais rapidamente do que sonhava. A paisagem que se mostra é sôfrega, voraz e insaciável!
Vejo este documentário (barra) road-movie como um espelho. É a nossa imagem que simultaneamente nos causa um choque, resultado da forma como estamos a ser talhados, mas também uma revolta, um confrangimento e mesmo indignação. Haverá uma impotência inerente à nossa essência e ao ponto a que chegamos? Daniel contrapõe o espírito de mudança de há mais de três décadas com a apatia contemporânea. É como se nada nos importasse. Aceitamos resignados viver nestas estradas por onde rola o ‘nosso’ Mercedes, neste país de beira de estrada.
Daniel Blaufuks constrói o documentário sobre um paradoxo que creio que funciona bem, pois dá-nos uma boleia lenta num velho Mercedes, e cruzamos um país agora rasgado de auto-estradas. Por vezes acelera a imagem e amplifica a velocidade com que os outros nos ultrapassam; muitas vezes arrasta a voz, exagerando este contraste. A propalada mobilidade e fluidez com que fomos contemplados tem um lado perverso e absurdo. Já não paramos, já não vemos. Como seriam diferentes as paisagens e lugares se o documentário fosse feito por alguém que caminhasse Portugal, que o atravessasse de bicicleta ou mesmo de comboio. Mas este torrão que nos é dado a ver, é sem dúvida mais próximo da experiência quotidiana da maioria de nós.
Daniel usa uma técnica de justaposição temporal. Por um lado leva-nos a olhar as paisagens estáticas dos postais turísticos de meados do século XX e a observar filmagens de um Portugal que já não existe: o que precede o crescimento para além da cidade compacta. Por outro lado desenrola o Portugal contemporâneo a partir do interior do automóvel – é assim que de facto maioritariamente o vemos – a partir de um (outro) ecrã que projecta a paisagem. Os cheiros e as texturas afastam-se do nosso corpo. Neste deambular motorizado por Portugal continental vemos a nossa cultura da estrada.
Mas nós estamos anestesiados. Já não vemos estas paisagens. A arquitectura da maison ou chalet alemão ou suíço, com as suas grades e muros altos, naturalizou-se. Os stands de automóvel de beira de estrada, as piscinas expostas e erguidas, ou os edifícios-montra com móveis e electrodomésticos, dimensionados para os vermos do interior do automóvel e de passagem, são um elemento tão comum e familiar que já não os questionamos. Não nos ferem, não os sentimos. O urbano, o rural, o periférico e o suburbano, e tudo o mais, confundem-se e confundem-nos, a aglomeração e a dispersão convivem e já não conseguimos ler a nossa terra. O fim disto tudo, a que aspiramos depois da próxima curva, não chega.
Daniel tem este mérito. Confronta-nos com a essência da nossa paisagem do quotidiano, com os lugares que temos construído, com os silêncios de uma insurgência colectiva que se adia. Silêncios que a paisagem perdeu. A estrada confunde-se com a rua. De formas distintas do que encontramos na América do Norte, também aqui parece que o Mickey Mouse prepondera sobre os arquitectos, agrada aos autarcas, embala quem passa sempre com urgência, ao som de noticiários psicadélicos, sem pausas, sem tempo para parar e ver estes retratos pungentes.
O documentário defende que o país, e a sua paisagem, perdeu a memória. Remexemos a terra, retorcemos os ferros, partimos as pedras. Já não conseguimos comparar as praças de hoje com as de outrora. A transformação deste país litoralizado – com uma pendente tão acentuada que nos impele para o mar – é tanta, que o mais forte que sobra do passado é o nome.
Aqui e acolá o documentário tem laivos de nostalgia do passado recente. Compassadamente são-nos projectados números sobre um país que parece definhar. São os números com que os media nos bombardeia diariamente e sobre os quais já não questionamos nem a veracidade nem as sequelas.
O documentário é apocalíptico, propositadamente não apontando para veredas, para regatos, para os interstícios destas entranhas contorcidas e sinuosas. Retratando tendenciosamente apenas o que de pior se faz foi a forma de Daniel Blaufuks nos sacudir, de nos abalroar com o nosso próprio retrato.
João Sarmento, Geógrafo, Professor Universitário, Sócio da AVE