
A propósito do dia mundial do meio ambiente e da vida que se faz nas árvores


No próximo dia 4 de junho, em jeito de celebração do Dia Mundial do Ambiente, vamos voltar ao nosso “Caminhar em Guimarães” e partir à descoberta da parte norte do concelho, que se caracteriza, ainda, pela sua ruralidade. Iremos conhecer o território de Souto (Santa Maria), Gonça e Gondomar onde, para além dos atrativos dos cenários rurais, iremos também contactar com realidades menos românticas, como é o caso do já desativado aterro sanitário de Gonça e de algumas pedreiras de Gondomar, famosas pelos danos já causados à qualidade da água do rio Ave. Trata-se de uma boa oportunidade para o caminhante conhecer de perto aquilo que provavelmente só conhece dos jornais. Perto do final da caminhada de 9 km, iremos realizar um agradável piquenique à sombra do arvoredo que ladeia o conjunto de moínhos do Ribeiro, em Souto.
Adira ao evento da caminhada no Facebook e fique a par de todas as informações até à data do evento.
Não é necessária inscrição na caminhada. Basta aparecer! A caminhada é gratuita para os associados da AVE com quotas em dia e terá o custo simbólico de 1 euro para os restantes participantes.
NOTA: esta caminhada não inclui seguro e pode ser adiada ou alterada por razões externas à organização.
Partindo do cemitério de Souto Santa Maria, vamos passar junto aos aviários, e daí, subir o monte até ao aterro de Gonça. Na descida, vamos contemplar a paisagem ímpar do vale do Rio Ave e os montes de São Romão (Citânia de Briteiros), Sameiro e Santa Marta. As pedreiras de Gondomar estão à nossa espera, para nos mostrar a desfiguração paisagística e a poluição ambiental, do ar e da água, por elas provocada.
Já quase no final do percurso, surgem os moínhos do Ribeiro, local de rara beleza, onde, à sombra de grandiosos carvalhos e de outras árvores autóctones, vamos comer o almeiro e relaxar com o som da água que corre em sucessivas cascatas formadas pelo desnível dos penedos. Eram cinco os moínhos de cubo que constituíam este “verdadeiro complexo pré-industrial”, dos quais um está restaurado e à espera da nossa visita.
Pretendemos iniciar a caminhada às 9h30, junto ao cemitério de Souto Santa Maria. Estimando uma viagem com duração de 15 minutos a partir de Guimarães, o ponto de encontro terá lugar junto à entrada do campus da Universidade do Minho, em Azurém, às 9h00. Recomendamos a partilha de automóvel, para diminuirmos a pegada ecológica desta atividade.
Perto do final da caminhada, faremos um pique-nique. Cada participante deverá levar o seu próprio farnel.
Para alguma eventualidade em que seja necessário contactar a organização, podem ser usadas duas alternativas: info@ave-ecologia.org (e-mail) ou 912 840 699 (telefone).
No âmbito da caminhada “Aldeias das Margens do Rio Vizela”, que teve lugar no dia 23 de abril (consultar roteiro ou evento Facebook), produzimos mais uma edição dos folhetos educativos da AVE, desta feita dedicada aos Carvalhais de Fafe. Descarregue o folheto original ou consulte abaixo o texto de Manuel Miranda Fernandes.
Este percurso atravessa alguns trechos de carvalhal, que impõem uma singular presença na paisagem das serras de Fafe. Dominado por carvalho-alvarinho e carvalho-negral, este tipo de floresta alberga uma diversidade considerável de flora e fauna, constituindo um ecossistema com notável valor ecológico. Sabe-se que, após o final do último período glaciar, há cerca de 10.000 anos, os carvalhais formaram grandes extensões no noroeste ibérico, favorecidos pela melhoria das condições climáticas. As atividades humanas, como a pastorícia, a agricultura, a carvoaria e a mineração, levaram ao declínio destes bosques, que atualmente se encontram apenas em locais mais remotos ou de difícil acesso. Contudo, nos carvalhais de Fafe, a atividade humana pode ter contribuído para a sua conservação, através da indústria da casca de carvalho, outrora com grande valor económico local. A casca extraída de cada árvore, em intervalos de quatro anos, era seca e moída, sendo enviada como fonte de taninos para as indústrias de curtumes de Guimarães e do Porto. Embora esta prática tenha cessado, a sua memória mantém-se, tendo sido inaugurado em Aboim, em 2014, o Museu da Casca de Carvalho.
É uma árvore que atinge porte elevado (30 a 40 m de altura), com tronco robusto e copa ampla e regular. As folhas, verde-escuras na página superior e mais claras na inferior, são recortadas em lóbulos arredondados, murchando em cada Outono e brotando na Primavera seguinte (espécie caducifólia). As flores masculinas são minúsculas, amarelo-esverdeadas, dispostas em espigas pendentes (amentilhos); as flores femininas formam-se-se na axila das folhas. Os frutos são as conhecidas bolotas – uma semente envolvida por uma cúpula. Não devem ser confundidas com os bogalhos, que são uma forma de proteção da árvore contra as posturas de insetos.
A madeira, de excelente qualidade, é usada na construção civil e naval, em marcenaria e em tanoaria. O fruto pode ser usado na alimentação do gado, mas usou-se outrora para fazer pão. Esta árvore foi sempre considerada como uma das mais nobres das espécies florestais europeias, atingindo vários séculos de longevidade. Em Portugal é espontânea no Norte e Centro, nas áreas com maior pluviosidade.
A composição dos textos esteve a cargo de Paulo Gomes e o grafismo do folheto PDF foi da responsabilidade de Luís Gonçalves.
No dia 11 de abril estivemos na escola EB1/JI de Santa Luzia com a atividade “Identificar Plantas com os 5 Sentidos: Jogo com Plantas Aromáticas”. Participaram na atividade 41 crianças que estavam na escola no contexto de tempos livres das férias da Pascoa. Foi uma manhã muito animada em que todos participaram ativamente. Depois do jogo terminar, as crianças recorrendo à técnica de propagação por estacas, colocaram as plantas usadas no jogo em vasos com terra na estufa da escola para que todos pudessem cuidar, ver e usar as plantas durante o ano.

“-A Zona…Um mundo à parte…Foi primeiro inventado pelos escritores de ficção científica, mas a literatura retrocedeu perante a realidade.”
Há quem julgue que o prémio Nobel se ganha por causa de um único livro. Se fosse esse o caso, só poderia ser este o livro que deu em 2015 o Prémio Nobel da Literatura à escritora bielorrussa Svetlana Alexeievitch…
Este é um livro sem narrador, ou melhor, com múltiplos narradores, que são as “vozes” de todos aqueles que sofreram direta ou indiretamente o maior desastre nuclear da história. Escutamos as vozes dos que foram forçados a partir e nunca mais voltaram, as vozes dos que se recusaram a partir e ficaram, as vozes daqueles que partiram e insistiram em regressar… e as vozes daqueles que vieram porque a radiação era uma adversidade preferível a uma guerra fratricida.
O livro não tem explicações científicas nem desculpas políticas. Abre com um relato pungente da mulher de um bombeiro, uma das primeiras vítimas do acidente, que acorreu ao que se pensava ser um simples incêndio numa central nuclear… É um relato violento, uma autêntica via dolorosa que acumula o desnorteio vivido nos primeiros dias após o acidente. Depois há uma multidão de vozes que sussurram sofrimento e incompreensão, mas também fascínio e atração por um mundo morto e uma terra fantasma.
Numa altura em que as vozes atuais se dividem a favor ou contra a central nuclear de Almaraz, recomendamos a leitura desta obra para melhor compreensão dos efeitos invisíveis da radioatividade. Será que devemos confiar na voz de governantes que apelam à “tranquilidade” e que afirmam que o perigo só existe num raio de 30 km à volta da central? Ou vamos deixar-nos guiar pelas vozes da experiência que asseguram que “só os escaravelhos da batata andam felizes da vida (…) a comer as nossas batatinhas” depois de um acidente nuclear?

Kostin Igor/Corbis Sygma