Newsletter – Abril 2015

 

1. EDITORIAL 2. NOSSA AGENDA
3. OUTRAS AGENDAS 4. RESCALDO MÊS PASSADO
5. AMBIENTE EM NOTICIAS  


1. EDITORIAL

Caros sócios e amigos,

A AVE está de parabéns neste mês,  e vai celebrar o seu aniversário com uma caminhada na Penha e convívio na Quinta Biológica de Casalermo. Estão todos convidados.

No mês de março, a discussão da eventual via de ligação ao Avepark mereceu a nossa atenção e disponibilidade, tendo sido realizada uma reunião de Direção extraordinária, donde resultou uma Análise critica e aspetos a esclarecer remetida à Câmara Municipal, tendo ainda a AVE estado presente nas três sessões de discussão realizadas.

Saudações ecológicas,

A Direção

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2. NOSSA AGENDA

12 Abril – Caminhada / convívio de aniversário

18 Abril -Visita Cerca Pousada com a Campo Aberto

24 Abril – Massa Critica

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3. OUTRAS AGENDAS

12 Abril – Caminhada Dia dos Moinhos – cartaz

16-19 Abril – FICIS Forum Comunidades Inteligentes e Sustentáveis – Link programa

18 Abril – Caminhada Dia dos Monumentos – mais info na Sociedade Martins Sarmento

18 Abril – Apresentação Ecovia de Guimarães – mais info

25 Abril – Guimarães Cycle Chic – link evento

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4. RESCALDO MÊS PASSADO

8 Março – Plantação na Horta Pedagógica

plantacao 2015

21 Março – Visita guiada aos Caminhos do Romântico – Album de fotos

caminhos romantico

22 Março – Dia Mundial da Água – Caminhada + ETA Queimadela – Album de fotos

ETA Queimadela

27 Março – Massa Critica

mc 2015-03

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5. AMBIENTE EM NOTICIAS

Lotaria sueca recompensa condutores que conduzem devagar

Privatização da EGF. Concorrência abre investigação aprofundada

Plano de Ação para a Energia Sustentável de Guimarães aprovado pela Comissão Europeia/Pacto de Autarcas

Plano Nacional de Gestão de Resíduos

Poluição atmosférica vai matar centenas de milhares de cidadãos europeus

Ideias portuguesas que melhorem vida nas cidades valem €75.000

Câmara de Guimarães vai atribuir bolsas de investigação a alunos na área da educação ambiental

Braga tem máquina de vending de produtos biológicos

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Estudo do acesso ao Avepark – Análise critica e aspetos a esclarecer

Tendo sido divulgado o estudo de avaliação do acesso ao Avepark, a AVE decidiu convocar uma reunião de direção extraordinária, aberta a todos os sócios e à comunidade, com o objetivo de analisar esse estudo, tendo como resultado uma Análise critica e aspetos a esclarecer, remetidos à Câmara Municipal de Guimarães, e que aqui partilhamos.

mapa avepark

A AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia, tendo tomado conhecimento do “Estudo de Avaliação do Acesso ao Avepark”, realizado pela Universidade do Minho (UM) para o Município de Guimarães, em fevereiro de 2015, vem por este meio apresentar uma análise crítica deste documento, identificando diversos aspetos que necessitam esclarecimento. Esta análise pretende contribuir para a discussão pública do processo da nova ligação rodoviária ao Avepark, esperando-se que esta discussão seja realizada de forma aberta e participada, incorporando as sugestões apresentadas para uma boa solução, em termos sociais, económicos e ambientais.

Assim, gostaríamos de salientar, como aspeto positivo, o facto de o estudo da UM ter sido divulgado publicamente, através do site do Município de Guimarães, o que atenua a lacuna de informação pública sobre este processo, anteriormente apontada. Gostaríamos igualmente de assinalar a possibilidade de os cidadãos enviarem contributos sobre este assunto, e o agendamento de uma apresentação pública do estudo, em 25 de março de 2015.

Não obstante, existem diversos aspetos críticos de enquadramento deste estudo, que suscitam as seguintes interrogações:

– Por que motivo foi tomada uma decisão política sobre a construção do novo acesso rodoviário ao Avepark, antes de existir fundamentação técnica para tal decisão? Em que estudo(s) prévio(s) se baseou a decisão da Câmara Municipal de Guimarães (CMG)?

– Como se articula este projeto com as prioridades locais, em termos de acessibilidade e mobilidade, e com o compromisso expresso pelo executivo municipal de aumentar a mobilidade com “menos recurso ao automóvel”?

– Por que motivo não foi solicitada a realização do estudo do acesso rodoviário ao Avepark a uma entidade independente, i. e., sem relações de interesse com o Avepark, nem com o contexto político local?

– Por que motivo o estudo da UM foi realizado a posteriori, condicionado por uma decisão política prévia? Por que é que se inverteu o processo de tomada de decisão, numa matéria de interesse público com elevado impacto social, económico e ambiental?

Sobre o conteúdo do estudo, uma primeira questão deriva do facto de o documento divulgado não apresentar fundamentação para os critérios metodológicos adotados, nem indicar quaisquer referências bibliográficas. Assim, urge esclarecer se este é o documento integral do estudo realizado pela UM ou se constitui um resumo não técnico.

Quanto à caracterização do Avepark, embora não seja um aspeto principal, o estudo suscita as seguintes questões:

– Qual o número exato de “empresas inovadoras” instaladas atualmente no Avepark? Como tem evoluído o número de empresas instaladas, desde 2008?

– Qual o número de empresas que, até à data, abandonou o Avepark? Quais os motivos desse abandono?

– Qual o balanço económico do Avepark? Os indicadores disponíveis apontam para a sua consolidação ou para um cenário de estagnação?

– Qual o potencial de utilização do Avepark, em termos do número de empresas e do número de trabalhadores e de outros utentes?

Um aspeto central analisado neste estudo é a caracterização das condições atuais de acessibilidade ao Avepark, o que levanta as seguintes questões:

– Qual o referencial em que se baseia o tempo indicado no estudo (30 min.) para se aceder a um aeroporto internacional? Como se poderá explicar, segundo este critério, a existência de parques de ciência e tecnologia em cidades como a Covilhã (Parkurbis), Abrantes (Tagusvalley) ou Évora (PCTA)? Ou a existência do próprio Taguspark, em Oeiras?

– Quando foi obtida a “amostragem de 20 viagens” (p. 6)? Em que horários concretos foram realizadas as viagens? Qual o significado estatístico desta amostra?

– Durante quanto tempo foi feito o “estudo de tráfego” mencionado (p. 10)? Em que datas concretas foi realizado?

– Qual o número atual de utentes do Avepark? Quais as suas necessidades de mobilidade e quais os percursos que efetuam?

– Qual o número e tipo de viaturas que utilizam diariamente o Avepark? Quais as horas de maior fluxo de tráfego (chegadas/partidas)?

– Quais os cenários de evolução futura das necessidades de acesso ao Avepark? Em que medida se justifica a construção de um acesso rodoviário dedicado, em função desses cenários?

No que respeita às alternativas de acesso rodoviário consideradas pelo estudo da UM, as seguintes questões deverão ser esclarecidas:

– Por que motivo se circunscreveu a análise a três alternativas de traçado? Não existem outras possibilidades de traçado a considerar, tendo em conta, por exemplo, a proximidade à A11 Guimarães-Braga?

– Dado que apenas a Alternativa 3 poderá ser suportada por fundos comunitários, não sendo para o efeito elegíveis as Alternativas 1 e 2, por que motivo foram consideradas como alternativas?

– Por que é que o estudo não considera intervenções de outro tipo, como a melhoria do serviço de transportes públicos para o Avepark, e medidas que permitam reduzir o congestionamento de tráfego na EN 101, como a correção de pontos de sinistralidade?

Relativamente à avaliação das alternativas, são diversas as questões que se levantam, nomeadamente as seguintes:

– Qual o fundamento da escolha dos critérios de avaliação das alternativas? (p. 17)

– Por que motivo a avaliação da Altenativa 2, no subcritério restrições de utilidade pública (pag. 26), não faz referência ao facto do seu traçado cruzar o perímetro de proteção da captação da Estação de Tratamento de Água (ETA) de Prazins?

– Por que motivo se considera que o traçado da Alternativa 3 apenas “toca pontualmente áreas de RAN [Reserva Agrícola Nacional] e de REN [Reserva Ecológica Nacional]” (p. 26), quando a observação da Figura 3.3 mostra que pelo menos 50% do traçado proposto assenta em áreas de REN e de RAN?

– Por que motivo se considera a Alternativa 3 como “Boa”, no subcritério Ruído (p. 30), quando apenas reduz o atual ruído na EN 101 em 7%, e acrescenta uma nova frente de ruído com área de 104.413 m2?

– Considerando a topografia do traçado da Alternativa 3, como se entende ser compatível a inclusão de uma ciclovia no seu perfil?

– O valor do custo unitário (p. 37) para a Alternativa 3 inclui o custo com expropriações e a construção de uma nova ponte sobre o rio Ave?

– Qual a avaliação ex ante dos impactes decorrentes da construção e operação da Alternativa 3, no que se refere à qualidade das águas superficiais da área afetada, em particular do rio Ave?

– Qual o impacte das alternativas de traçado no perímetro de proteção da captação de água para consumo humano, na ETA de Prazins, principal fonte de abastecimento do concelho de Guimarães?

Em conclusão, consideramos que, sem o esclarecimento das dúvidas assinaladas, não nos parece possível sustentar a recomendação que o estudo apresenta, de “ adoção da Alternativa 3, correspondente a uma via dedicada” (p. 40). Aliás, atendendo a que esta alternativa apenas irá reduzir 10 minutos ao tempo de viagem atual, questionamos se esta é uma justificação suficiente para a construção de uma nova via rodoviária dedicada, com os impactos daí decorrentes. Ficarão Guimarães e o país melhor servidos com este investimento? Ou estaremos apenas a reproduzir os erros de investimento rodoviário que retalharam a paisagem portuguesa nas últimas duas décadas, constituindo “ativos tóxicos” em termos financeiros e ambientais?

De acordo com os elementos disponíveis, falta uma justificação adequada para a construção da nova via de acesso rodoviário ao Avepark. Solicitamos, portanto, o esclarecimento das questões levantadas e a eventual reformulação do estudo de avaliação do acesso ao Avepark.

Guimarães, 25 de março de 2015

A direção da AVE – Associação Vimaranense para a Ecologia

 

Newsletter – Março 2015

 

1. EDITORIAL 2. NOSSA AGENDA
3. OUTRAS AGENDAS 4. RESCALDO MÊS PASSADO
5. AMBIENTE EM NOTICIAS 6. LIGAÇÃO DO MÊS
7. VIDEO DO MÊS 8.


1. EDITORIAL

Caros sócios e amigos,

Em fevereiro, na sequência de um pedido de informação, e da caminhada realizada ao longo do traçado previsto na revisão do PDM para a via de ligação ao Avepark, a AVE e a Quercus emitiram um comunicado conjunto, a dar conta da necessidade da discussão pública deste projeto.

Em março, a nossa atividade estará dividida entre a reorganização interna, e duas atividades/visitas a realizar no fim de semana do equinócio.

Contamos com o vosso interesse e participação.

Saudações ecológicas,

A Direção

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2. NOSSA AGENDA

8 Março – Plantação na Horta Pedagógica

21 Março – Visita guiada aos Caminhos do Romântico – Porto – evento

22 Março – Dia Mundial da Água – Caminhada + Visita ETA Queimadela/Fafe

27 Março – Massa Critica

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3. OUTRAS AGENDAS

7 Março – Sessão de apresentação – Hortas em qualquer lugar – Lab. Paisagem – Evento

14 Março – Mercadinho – Encontro Produtos Naturais – Cor Tangerina

15 Março – Das florestas do Vale do Turio até à Vaca e Serradela – NaturcooltourEvento

21 Março – Tertulia: RESÍDUOS, HORTAS NA CIDADE, LIXO… E BICICLETAS!
Campo AbertoEvento

27 Março – Questões Significativas Agua RH2 Braga  APAEvento

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4. RESCALDO MÊS PASSADO

11 Fev – Comunicado – Via de ligação ao Avepark

22 Fev – Caminhar em Guimarães – Montes de S. Torcato & Camélias

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5. AMBIENTE EM NOTICIAS

Universidade do Minho estuda «melhor canal» para construção da via dedicada ao Avepark

Pode um documentário sobre vacas mudar os nossos hábitos?

Sacos alternativos ao plástico multiplicam-se nos supermercados

UTAD desenvolve estudos na área dos Transportes e Mobilidade Urbana

Premiado projecto que em sete anos pôs 50 mil voluntários a cuidar de rios

Empresa portuguesa cria biocarvão 100% limpo

SIC Notícias estreia primeiro programa dedicado à agricultura desde o fim do TV Rural

Jovens agricultores podem concorrer a apoios à instalação a partir desde o dia 23 de Fevereiro

Árvore mais velha de Portugal vive em Santa Iria da Azóia

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6. LIGAÇÃO DO MÊS – WILDER.PT

“Imagine se… uma equipa de jornalistas se juntasse para escrever para si, que gosta da natureza ou que trabalha com ela todos os dias. E que a coisa que esses jornalistas mais gostassem de fazer fosse entusiasmá-lo pelo mundo natural.”

WILDER

7. VIDEO DO MÊS

PORTUGAL the wild side from WILDSTEP Productions on Vimeo.

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Caminhar em Guimarães – Montes de S. Torcato & Camélias

Montes de S. Torcato & Camélias foi a proposta do Caminhar em Guimarães do passado dia 22. Num percurso circular com início junto ao Vivapark, percorremos 6 kms entre vales e montes, com passagem por Vilar (local arqueológico) e dois marcos geodésicos com vistas deslumbrantes. A parte da tarde foi dedicada às camélias no Park Flavius onde podemos contemplar uma imensa variedade de camélias e ouvir as explicações do seu produtor, o Sr. António Assunção.

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Fotos de Luís Gonçalves

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ESCOLA COM PEDALADA

Os ativos talentosos únicos e irrepetíveis que existem hoje em Guimarães “por via da existência de um sistema de ensino de excelência, onde pontuam escolas secundárias prestigiadas…” (CMG 2014) assinalados na candidatura de GUIMARÃES A CAPITAL VERDE EUROPEIA justificam uma séria reflexão da escola sobre o seu papel renovador e empreendedor numa sociedade mais ecológica e sustentável do ponto de vista ambiental. Nesta perspetiva, é atual e pertinente o tema da mobilidade sustentável e do potencial da bicicleta na conquista de um estilo de vida saudável, assunto que deve ser refletido e debatido pela sociedade civil. O impacto do transporte ativo manifesta-se também na sustentabilidade da nossa cidade, pois os nossos hábitos quotidianos de deslocação para a escola produzem efeitos diretos no tráfego rodoviário urbano e por consequência na qualidade de vida dos seus cidadãos, indo ao encontro do desafio emanado do documento estratégico para tornar Guimarães uma cidade mais verde.

Neste contexto impõe-se a seguinte pergunta: Porque não considerar, em benefício da sustentabilidade das cidades e da qualidade de vida dos cidadãos, a bicicleta (enquanto transporte ativo) na oferta de transporte para a escola como medida de investimento público no domínio da mobilidade?

Escola com Pedalada
Foto www.cyclox.org

Parece-me acertada a medida que permita uma escolha plena do modo de deslocação para a escola, admitindo-se a possibilidade de utilizar a bicicleta como alternativa ao automóvel e ao transporte público para cumprir este trajeto quotidiano, baseando a minha opinião nos seguintes pressupostos. No plano da mobilidade, a bicicleta é um transporte individual versátil que permite uma elevada autonomia, é fácil de utilizar, ocupa pouco espaço, é fácil de estacionar, mas a sua maior virtude está na redução do tempo gasto nas curtas deslocações (até 4 km), principalmente em situação de trânsito. A vertente ecológica da bicicleta enquanto transporte silencioso e não poluente (emissão de gases) garante-lhe um lugar cimeiro enquanto transporte amigo do ambiente. Toda a forma de deslocação onde a energia motriz provém do indivíduo determina o modo ativo das suas deslocações. Nesta medida, a decisão de utilizar a bicicleta enquanto transporte ativo nas múltiplas deslocações diárias revela uma atitude sensata e inteligente do ponto de vista do combate ao sedentarismo e nos ganhos evidentes de saúde que daí advêm.

Um recente estudo efetuado na comunidade educativa da Escola Secundária Martins Sarmento evidencia um cenário positivo no que se refere à bicicleta, pois a maioria (95%) dos 145 alunos inquiridos afirmou saber andar de bicicleta e um número considerável deles reside num perímetro favorável ao uso da bicicleta. Para a maioria dos alunos (92%) andar de bicicleta é “fixe”, sendo muito utilizada de forma esporádica nos tempos livres. A escola pode desempenhar um papel formativo e mobilizador, aproveitando este quadro positivo, para produzir pequenas mudanças numa sociedade dominada pela mobilidade motorizada e contribuir diretamente num processo de inversão favorável ao transporte ativo. Para o efeito será determinante envolver os alunos no processo de mudança e comprometer as famílias e a sociedade civil neste esforço de transformação.

A eficiência e a comodidade conferidas à bicicleta pelos avanços tecnológicos, associada a um transporte económico, silencioso, amigo do ambiente, independente e fundamental-mente ativo para a pessoa, tornam esta opção de mobilidade atraente e inteligente, sendo desejável a sua generalização. Esta necessidade de “renovação ambiental” coloca a mobilidade sustentável na agenda das decisões sobre o planeamento urbano, privilegiando o conceito de “cidadão multimodal” onde a escolha da melhor solução de transporte para cada necessidade específica é promovida e cuidada.

Ricardo Lopes – Professor de Educação Física

Ligação para a dissertação de Mestrado em Ensino de Educação Física nos Ensinos Básico e Secundário: Transporte Ativo – Implementação e avaliação de um programa de intervenção sobre os hábitos de deslocação em bicicleta para a escola.