Caminhar em Guimarães – Ligação ao Avepark

No passado dia 25 de janeiro realizamos mais um percurso do Caminhar em Guimarães.

Na companhia de cerca de oitenta pessoas, percorremos alguns dos locais onde está prevista a passagem do novo acesso ao Avepark, alertando assim para a perda ambiental que pode ocorrer, e para a necessária discussão do interesse público do projeto.

Houve ainda tempo para conhecer a Igreja Velha de Santa Maria de Corvite, classificada desde 2012 como Monumento de Interesse Público, mas que evidencia sinais de abandono e degradação. Mais informação neste link.

Agradecemos a todos pela participação e apoio, e em especial ao grupo da Salta Fronteiras (ONGA de Felgueiras) e à Quercus de Braga.

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Fotos de Luís Gonçalves

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Plantação de Inverno

Realizamos no 29 de novembro mais uma plantação no nosso talhão da horta pedagógica.

Semeamos alho, ervilha, fava e cebola, e fizemos a sideração do terreno restante com aveia e tremoço.

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Atelier: Líquenes à Moda do Norte

Os Líquenes à  Moda do Norte estiveram no Laboratório da Paisagem, onde um grupo de três dezenas se deixou contagiar pela forma vibrante e apaixonada como a sua promotora Joana Marques nos deu a conhecer um pouco do mundo desses seres.

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Para mais informações sobre o projeto:

Motivação
As florestas de chuva de climas temperados são um tipo relativamente raro de floresta ocupando cerca de 1% da superfície terrestre e em forte regressão em todo o mundo, com importantes áreas de distribuição no Reino Unido e Escandinávia, e manchas residuais no NO de França e N da Peninsula Ibérica. Estas florestas são normalmente ricas em líquenes raros, cuja ocorrência e distribuição em Portugal é ainda praticamente desconhecida. Para acelerar o processo de recolha desta informação, é necessário reunir o esforço de liquenólogos e “cidadãos cientistas” (alunos, professores, técnicos de autarquias e áreas protegidas, e público em geral), devidamente formados no reconhecimento das espécies alvo, com vista à publicação conjunta em revistas da especialidade e à participação nas VI Jornadas da Sociedade Espanhola de Liquenologia a decorrer em Setembro de 2014 no Parque Nacional da Peneda-Gerês. Uma vez reunidos, estes dados deverão constituir uma importante contribuição para a elaboração da primeira Lista Vermelha dos Líquenes da Península Ibérica.

CONGRESSO MUNDIAL DE HISTÓRIA DO AMBIENTE EM GUIMARÃES: QUAL O LEGADO DESTE EVENTO?

WCEH - flyerRealizou-se, nos passados dias 8 a 12 de julho, um evento científico que reuniu em Guimarães cerca de 600 investigadores em história do ambiente[1], oriundos, literalmente, dos quatro cantos do mundo. Não tenho memória de um evento internacional com esta envergadura, acolhido neste caso pela Universidade do Minho, tendo ocupado em pleno a zona de Couros e deixado durante alguns dias uma marca exótica na paisagem urbana. Foi um tempo intenso de partilha e discussão, com quase 500 apresentações dos mais variados temas da história do ambiente[2], em várias sessões simultâneas, abordando o clima e a meteorologia, o mar e a pesca, a erosão costeira, a paisagem e as transformações do território, até aos recursos hídricos e aos ecossistemas fluviais, à floresta e à introdução de espécies exóticas, à avifauna, à mineração e às ferrovias, se nos cingirmos aos casos relativos a Portugal. Esta pluralidade exprime bem o caráter abrangente e interdisciplinar desta área científica, dedicada, em última análise, à interação entre a sociedade e o ambiente na longa duração.

Entre a multiplicidade de trabalhos apresentados, incluem-se dois realizados na nossa região: um de caráter paleoambiental, sobre o impacto humano na serra da Cabreira durante o Holoceno[3], e um outro dedicado à relação entre a indústria e o ambiente na bacia hidrográfica do Ave[4]. Há muito por fazer no que respeita ao desenvolvimento da história do ambiente à escala regional e nacional, pelo que foi proposta, durante o congresso, a criação de uma rede portuguesa de história ambiental e humanidades. Esta rede pretende constituir grupos de investigação transversais, mobilizados em torno de uma questão central: como definir estratégias e prospetivas ambientais quando se conhecem mal os processos do passado? [5] A criação desta rede será, porventura, o melhor legado que este congresso poderá deixar entre nós, reduzindo a distância que, neste campo, nos separa ainda do resto do mundo. Uma associação de defesa do ambiente, como a AVE, não poderia deixar de desejar as maiores venturas a esta iniciativa.

Manuel M. Fernandes

[1] Second World Congress of Environmental History Environmental History in the Making: http://www.wceh2014.ecum.uminho.pt
[2] Livro de resumos disponível em: http://www.ecum.uminho.pt/arquivoFW/Documentos/2014/WCEH-FINAL-Abstract-Book.pdf
[3] Late Holocene Human Impact on the Landscape in the Cabreira Mountain and Upper Terva Valley, Northern Portugal, por Carla Ferreira, Gill Plunkett e Luis Fontes (resumo A318)
[4] An Adversarial Relationship: Industry and Environment in the River Ave Basin, por José M. Lopes Cordeiro e Francisco Silva Costa (resumo A455)
[5] In Carta dirigida aos participantes portugueses do congresso, por Inês Amorim, Arnaldo de Sousa Melo e Cristina Joanaz de Melo, em 4-06-2014.